terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Série O Eclesiastes: Significado e Lição de vida



  O termo "Eclesiastes" da tradução do grego e latim, ou "Qohélet" do original hebraico, dão a conotação de alguém que fala numa assembléia, ou seja: "Pregador" ou também "Sábio".  Há muitas controvérsias sobre quem escreveu este livro, mesmo que o autor dê a entender que foi Salomão. Alguns dizem que o livro não poderia ter sido escrito por ele devido ao uso de palavras com raízes persas, supondo que o autor que escreveu era do tempo do exílio babilônico e que usou Salomão como um arquétipo para passar sua mensagem, que estava de acordo com o ensino de Salomão, sendo talvez, um livro de pseudo-epígrafe, onde Salomão era a figura respeitada na questão da reflexão e, por isso, usado como arquétipo dela.  Outros afirmam que foi Salomão que escreveu na velhice, fazendo uma retrospectiva da sua vida. E, ainda outros, que foi Salomão que escreveu umas partes e outro sábio que escreveu a outra parte. De qualquer forma, nos importa aprender sobre o que está escrito, mesmo que não tenhamos certeza de quem foi que, de fato, escreveu. O que esse livro nos ensina? De forma geral, o Eclesiastes é um tratado existencialista sobre a vida num todo e sua falta de sentido; a existência vista de uma forma predominantemente imanente, terrena e sem nenhuma, exceto algumas partes, perspectiva de transcendência e vida eterna.

O autor faz uma viagem retrospectiva de sua vida, dando a entender que, talvez, tenha sido o próprio Salomão escrevendo em sua velhice, ou outro autor escrevendo sobre Salomão fazendo uma retrospectiva. E a retrospectiva de Salomão o faz analisar as coisas feitas em sua vida e todos os seus projetos e realizações. E ao fazer isto, seu veredito é "Nada faz sentido". Ele compreendeu que todos os seus esforços para descobrir o que de fato valia a pena e trazia sentido permanente em sua vida, (Ec 1:13, 2:1 e 3; 7:25, 27 e 28), eram correr atrás do vento. Ele se desespera ao perceber que sua busca para imortalizar seu nome e feitos, se perderão, pois não sabia como seria seu sucessor (2:20) e então vemos que sua alma virou um buraco negro que sugou de tudo (mil mulheres, construções enormes, hobbies, todo tipo de comidas, vinhos e alteradores de consciência, cantores, servos, riquezas, poder, conhecimentos e etc) e mesmo depois disso, constatou que a vida no seu hedonismo, a ponto de não negar nada a que os seus olhos desejaram (2:10), eram vazios e sem sentido. Vemos um autor frustrado e que encerra seu discurso dizendo:
"Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial para o homem." (Eclesiastes 12:13 -Nvi).  A lição que a vida de Salomão nos passa é resumida em: "Você não pode preencher um vazio de relacionamento com Deus, que é infinito, com coisas finitas. Não precisa ter muito para ser feliz; basta se contentar com o que tem, pois isso é dom de Deus e significa prosperidade." O maior ensino do Eclesiastes, retirado de seu fracasso, foi a amar a vida e a se contentar com ela, através do relacionamento com Deus.
#Prosador

Imagem retirada em:
<http://veredasmissionarias.blogspot.com.br/2013/04/curso-omega-treinamento-pratico-para-o.html?m=1>
Acesso: Jan, 2018.

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Pérolas aos Porcos



     Pérolas aos Porcos

"Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão."

(Mateus 7:6 Nvi).

O que seria dar aos cães o que é sagrado e atirar pérolas aos porcos? Na cultura judaica era comum caracterizar pessoas e seus atos com nomes de animais. Paulo chama os religiosos judaizantes de "cães" em Filipenses 3:2. Pessoas ignorantes, difíceis e arredias, são chamadas como mulas, burros ou cavalos; como no Salmo 32:9. Mas e no contexto de Jesus? Bem, essas palavras foram lançadas no cenário do Sermão do Monte, onde Jesus começou a estabelecer novos paradigmas e doutrinas que excediam a lei. A prova disto são suas palavras como: "Ouvistes o que foi dito" e "Eu porém digo a vocês" em todo o capítulo cinco de Mateus.  Além disto, Jesus estava delatando a superficialidade daquela sociedade de aparências, onde os mestres da lei jejuavam, oravam e praticavam boas ações com intenção de serem reconhecidos e aplaudidos, (Capítulo 6 de Mateus). E no sétimo capítulo ele fala sobre julgamento em uma sociedade formada por mestres da lei que eram especialistas em julgar e colocar fardos pesados sobre os outros, através de um ensino pesado e legalista. Uma sociedade incapaz de se interiorizar e olhar para si, antes de apontar para os outros. Em seguida, ele menciona o texto sobre dar o que é sagrado aos cães e atirar pérolas aos porcos. Ao meu ver, dar algo sagrado aos cães e pérolas aos porcos, além de ter sido, principalmente, o anúncio do ensino do Evangelho de Jesus para os daquela época (e no nosso caso, falar do evangelho para quem sabemos que irá fazer pouco da nossa fé) tem, também,  a ver com não entregarmos o que para nós é sagrado, ou seja, nossas pérolas e preciosidades da nossa alma ao julgamento de quem irá desprezar o que compartilharmos ou ensinamos. Como por exemplo: um sonho, um segredo, amor e confiança. Tem a ver com não sujeitarmos nossa alma aos fariseus modernos e seus fardos pesados de julgamento sobre nós. Os "cães" e os "porcos" são aqueles que nos julgam e dão um veredito sem nada saberem da importância de algo que compartilhamos com eles, na esperança de conseguirmos ajuda. Eles matam com seus julgamentos e discernimentos e se puderem, pisam e despedaçam nossa alma. Mas antes que possamos pontuar os nomes de quem fez isso conosco... temos que perguntar se não somos estes; pois Jesus disse: "Não julguem (dar vereditos sem examinar) para que vocês não sejam julgados" Mt 7:1. Exarminarmos a nós mesmos, antes dos outros, é algo fundamental que o Evangelho nos ensina.

#Prosador


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Imagem em:
<http://josecoelho.org/2014/03/01/pearls-to-the-pig-perolas-aos-porcos/>
Acesso: Jan, 2018.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A Palavra de Deus é Viva; não é Bíblia


 " Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração."  -Hebreus 4:12.

"As palavras que eu lhes disse são espírito e vida."
-João 6:63.

Escrituras são registros inspirados por Deus; Palavra de Deus é Jesus. A Escritura foi inspirada, mas é morta enquanto letras escritas em papéis. Já a Palavra de Deus é compreensão viva da Escritura através de Jesus. Bíblia é a reunião das Escrituras no meio de duas capas, onde seus códigos gráficos representam realidades. Palavra de Deus são as realidades no mundo concreto e que vieram de Deus. Alguns lêem Bíblia e se enchem de conceitos teológicos mortos apenas. Outros absorvem a Palavra de Deus, por meio do livro chamado Bíblia, pois não a trataram como fim em si mesma ou como conceitos meramente cognitivos.
#Prosador

   
   

Diferença entre "Bíblia" e "Palavra de Deus"


 
    É comum no meio religioso o uso destas palavras. São palavras chave para todo indivíduo que se considera cristão ou religioso. São palavras usadas como sinônimos, mas nem todos possuem entendimento da diferença concreta entre elas. Então qual é a diferença? A diferença é que "Bíblia" é um termo que significa "coleção de livros". A Bíblia surgiu com a invenção da imprensa, através de Gutenberg, na Idade Medieval. Mas ela de certa forma, existia em formato de manuscritos e da formação do Canon Bíblico, ou seja, dos livros considerados inspirados por Deus, pela cristandade. Sendo assim e de forma geral, a Bíblia também é um sinônimo de "Escrituras", que foram escritas sem a tecnologia da imprensa; praticamente, então, elas são as Escrituras. Mas qual a diferença delas da Palavra de Deus? Toda! Há uma enorme diferença entre a Bíblia ou Escritura, da Palavra de Deus. E vou dar bases bíblicas para os que precisam delas. Com o desenvolvimento da escrita, o homem deu início ao processo de registro e desta forma, a História considera esse período de surgimento da escrita de Antiguidade, pois antes vivíamos na Pré-História. E qual o objetivo da escrita e o que ela é? A escrita são símbolos que representam ideias e fatos. Mas NÃO são fatos e nem realidades, mas apenas representações. Desta forma, as Escrituras e a Bíblia, são meros registros de revelações e acontecimentos entre Deus e o homem. Ela por si não traz vida a ninguém e não é Palavra de Deus, mas representa apenas. Palavra de Deus é relacionamento, realidades, percepções espirituais que vão além do simbólico e do cognitivo; Palavra de Deus é quando eu amo quem me persegue, quando retribuo o bem com o mau, quando me relaciono com Deus e aprendo de forma prática com Ele. Palavra de Deus é o conhecimento revelado pelo Espírito Santo. Desta forma, o próprio Jesus confirma isso: "Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que TESTEMUNHAM a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a MIM para terem VIDA." (João, 5: 39 e 40 -Nvi).
O autor de Hebreus também diz isto, ao dizer que "... a Palavra de Deus é VIVA e EFICAZ". Hebreus 4:12 -Nvi. Ou seja, passam do simbólico e de folhas com tintas e possui vivacidade, realidade, vida. Embora haja um culto à Bíblia em algumas igrejas, tratando ela como Palavra de Deus e um fim em si mesmo, como faziam os fariseus, Jesus disse que Ele é quem traz vida, ou seja a "Palavra de Deus". Ele também é descrito como "Verbo vivo", ou "Palavra Viva", dependendo das versões. Desta forma, Jesus é a Palavra de Deus. Assim como é o Amor, o Caminho, a Verdade e a Vida... e etc. Mas a Bíblia tem sua importância por ser uma ferramenta que representa a Palavra de Deus, registrando suas ações e linguagens com o homem. Desta forma, a Bíblia deve ser usada como um meio para apontar para Jesus e não como um fim em si mesma.
#Prosador

Imagem em:
<http://www.centroloyola.puc-rio.br/cursos/as-imagens-de-deus-na-biblia/>  Acesso: Jan, 2018.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Espelho da Alma

       


O que corre em minhas veias são sangue; o que me torna humano, são os erros. O que me faz fugir e me defender é o medo.

 Sim... culpado! Eis o meu veredito. Nasci como mais um entre os filhos decaídos da raça humana de Adão.

    Os holofotes me trazem divindade; os elogios fazem eu me sentir um Deus. O orgulho me eleva ao céu, de onde vejo os outros como formigas.

E o sarcasmo é minha máscara diante dos que me rodeiam. Minha maquiagem é o sorriso de "está tudo bem!" Minha raiva repulsiva é coberta por abraços amigáveis.

    Que sou eu? Um arquétipo de todos vocês que se recusam a olhar pro espelho da alma e a tomarem um enorme susto com o que são, mas não admitem.
#Prosador

Imagem em:
<https://www.elo7.com.br/espelho-decorativo-veneziano-dourado/dp/6ECB65>
Acesso: Jan, 2018
 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A Liberdade Segundo "A Cabana".

        


"—  Se  você  quiser  ir  só  um  pouquinho  mais  fundo, poderíamos  falar  sobre  a  natureza  da  própria  liberdade.  Será  que liberdade  significa  que  você  tem  permissão  para  fazer  o  que  quer? Ou  poderíamos  falar  sobre  tudo  o  que  limita  a  sua  liberdade.  A herança  genética  de  sua  família,  seu  DNA  específico,  seu metabolismo,  as  questões  quânticas  que  acontecem  num  nível subatômico  onde  só  eu  sou  a  observadora  sempre  presente. Existem  as  doenças  de  sua  alma  que  o  inibem  e  amarram,  as influências  sociais  externas,  os  hábitos  que  criaram  elos  e caminhos  sinápticos  no  seu  cérebro.  E  há  os  anúncios,  as propagandas  e  os  paradigmas.  Diante  dessa  confluência  de inibidores  multifacetados  —  ela  suspirou  —,  o  que  é  de  fato  a liberdade?"
- "A Cabana", Pág 85.

     Bem... creio que o texto é autoexplicativo. Neste contexto, Mack estava no diálogo com Deus sobre a liberdade e seu significado. O que é ser livre? Muitos vivem sob a tirania da "liberdade", achando serem felizes. Mas na verdade, esta "liberdade" de fazer o que quer... é outra prisão. Outros ainda tem medo de usar a liberdade por medo de caírem no exemplo anterior. Mas também erram ao escolherem viverem por regras, no legalismo de qualquer área. Seguir cegamente as regras é um erro fatal, assim como viver sem regras e pelo instinto. Desta forma, nos resta a liberdade que podemos exercer, dentro do que se pode, como nos demonstrou "Papai", mencionando os fenômenos da existência que nos limitam, como genética, fatores psicológicos e etc. Liberdade é: exercer o poder de escolha com entendimento descontaminado do que nos escraviza; ou seja: longe do hedonismo que nos escraviza e do legalismo que nos sufoca e nos torna robozinhos. Liberdade não rouba o direito de escolha do meu próximo e nem o força a nada.
#Prosador
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Imagem em:<https://www.google.com.br/amp/s/atos242.wordpress.com/2010/06/10/avaliando-a-cabana-entrevista-com-wayne-jacobsen/amp/>
Acesso: Jan, 2018.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A Religião do Medo e o Medo da Religião



    Neste começo de ano de 2018, refleti muito enquanto estive na praia. A maioria dos anos que passei enquanto eu era menor de idade, foi na estrutura eclesiástica. Ora, todos sabem que é uma tradição a ceia de ano novo na igreja evangélica. E depois de certo tempo, enquanto avançava a madrugada, eu via muitas pessoas vomitando e entrando em estado de coma alcoólico, ou se envolvendo em brigas. Sim, o ser humano tem a capacidade de usar as coisas de modo indevido e de extravasar suas angústias. E ao me deparar com todo aquele caos... me perguntei: "Onde estão os que se dizem igreja?". O momento que as pessoas mais precisam da igreja e de sua ajuda... é no começo do ano. E você pode argumentar: "Mas ninguém tem obrigação de socorrer os que se prejudicam com coma alcoólico e etc". E eu concordo. Ninguém tem a obrigação; mas não é essa a função da igreja? Mostrar o favor imerecido, ou seja, graça? Mas ela não tem feito isso em sua grande maioria. Ela tem tido medo de se misturar com os "do mundo, os pagãos". Os ensinos "bíblicos" de "jugo desigual" para alimentar o medo de se misturar com os outros e não ser luz, demonstra isto. A tradição da ceia no ano novo também, em parte, é efeito disto. A questão não é a ceia em si, mas a intenção com que muitos a fazem, assim como programações exclusivamente dentro de quatro paredes e não fora. Este é o grande medo da religião, medo de ser como Jesus: andar entre os pagãos e comer com "publicanos e pecadores", afinal, é fácil se esconder entre quatro paredes e não aguentar os palavrões, os frenesis, os gritos, os bêbados, os bêbados briguentos, e os que caem na calçada com coma alcoólico. Por isto, exatamente por este medo que a religião tem, é que ela é a religião que espalha medo. No sentido de expor medo, de usar a Bíblia para gerar um falso conceito de "santidade", como se santidade fosse isolamento físico e emocional dos não cristãos, dos bêbados e dos que precisam de ajuda. É facil proibir o uso de álcool, é facil impor restrições de todo tipo; mas não é facil exercer domínio e equilíbrio sobre as coisas. Por que não proibimos cartões de crédito e fast foods? Eles também provocam dívidas e obesidade. São eles ou o mau uso deles? Muitas coisas em si não são ruins, mas sim o uso que se faz destas coisas. Desta forma... a igreja precisa rever suas ações que são movidas, mesmo que inconscientemente, por MEDO.
#Prosador
Imagem em:
<https://www.google.com.br/amp/s/www.altoastral.com.br/medo-fobia-adrenalina-cortisol-cerebro/amp/>
Acesso: Jan, 2018.

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#Prosador
Imagem em:
<https://www.google.com.br/amp/s/www.altoastral.com.br/medo-fobia-adrenalina-cortisol-cerebro/amp/>
Acesso: Jan, 2018.