Ultimamente tenho pensado como as tecnologias digitais, principalmente as redes sociais e os aplicativos de comunicação, têm me cansado. Já repararam como o Chat GPT nos oferece favores sem pedirmos?
"Se quiser, �posso te montar um “setup de foco” bem enxuto pro seu dia (pensando no seu mestrado), sem radicalismo."
Essa sugestão veio após eu desabafar com ele sobre como o Whats App acabava me interrompendo nas leituras e sobre como eu usava isso para procrastinar uma tarefa importante. A tecnologia nos oferecendo ajuda contra a tecnologia... em que ponto chegamos?
A atividade de pensar, de ter que planejar uma estratégia diante de um desafio estrutural da modernidade foi terceirizada para a própria tecnologia da modernidade.
Todos somos alvos do regime de "economia da atenção" que as redes sociais nos oferecem. O entretenimento tem sido uma novidade que nos afunda sem sabermos a partir do momento em que ele entra automaticamente como um hábito. "Nada pra fazer, vou ver uma série antes de dormir!" virou o padrão.
E quem nunca se pegou cansado de tanto rolar o feed do Instagram ou Facebook, ou mesmo de consumir vários vídeos interessantes no Youtube? Se não exercermos uma força ativa de controle, nosso subconsciente, por meio do nosso dedo clicante, entra automaticamente no Instagram sem nos darmos conta. E só depois reparamos que entramos no Insta sem pensar se queríamos isso, como que instintivamente.
A modernidade é um puta de um cassino sofisticadíssimo, que nos atrai pela carícia no ego e pela ânsia de sair do tédio. Os likes de nossas fotos, textos ou vídeos nos incentivam a acreditar que somos muito queridos, enquanto a aprovação das pessoas da vida real ocorre no ritmo naturalmente lento em relação à aprovação digital.
E quando nos acostumamos com essa dinâmica de recompensa artificial, isto é, anti-vida em ritmo e em dinâmica, nos tornamos prisioneiros do niilismo digital. Esse é um mal estar da civilização atualizado em que, como massa de manobra do entretenimento, adentramos cada vez mais o curral daqueles que desenvolvem essa engenharia para nos dominar pela dependência desse terrível admirável mundo novo.