sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Um balanço sobre o cristianismo






  Como ex-cristāo evangélico, nascido e criado neste lar, passo a tecer consideraçōes que podem fazer algum cristāo me odiar. Escrevo com brilho no olhar, tanto para acentuar coisas boas sobre o cristianismo, quanto as ruins. Sobre estas últimas eu já me adianto no linguajar gospel para provocar espanto: quão densas trevas sāo! Falo mais aos cristāos evangélicos, embora alguma coisa ou outra se encaixe aos católicos, espíritas, adventistas e mórmons.  

Ainda dou-lhe tempo, jovem cristão turrāo; vá e saia daqui enquanto é tempo, antes que eu dilacere suas esperanças e te apresente às dúvidas que nunca antes pensastes. Mas se és tu cristāo aberto, que nāo faz forças para racionalizar possíveis verdades... digo-lhe: seja bem vindo!


Primeiro dou-lhe o bofetāo logo de cara; para poder depois remediar tua angústia com um meio sorriso nesta cara.  Falarei do cristianismo, focando mais na área institucional, nāo focando muito em questōes ditas metafísicas e teológicas, mas acrescentando suas pitadas no enorme calderāo da estapafúrdia moral do dito cristāo. A seguir seguem as críticas de forma honesta e sem trapaceios.

O cristianismo tradicional institucional, principalmente o evangélico, tem seus pilares baseados em alguns pressupostos: a crença das causas e efeitos (de que existe uma divindade que controla tudo ou permite o que acontece); repressão moral e repressão sexual (sexo depois do casamento é pecado grave para muitos) e quando o cristāo é devoto, o casamento ocorre mais rápido que um raio que toca dos céus ao chão.

 Quanto tempo ele vai durar? Por que casaram, de fato? A carência e vontade de sexo influenciaram muito ou um bocado? Cerveja? Talvez vinho e olhe lá; na pentecostal tá amarrado; e na neopentecostal? Dá teu carro pra Jesus, seu otário!

Também passo a falar sobre a coerção do dízimo, em que o estupro mental com base bíblica é uma realidade. Na neopentecostal é sem vaselina; na presbiteriana? Tem até camisinha! Mas todas são iguais, no fundo querem teu dinheiro para Deus e para o pastor comprar na Marabraz. "E o contexto histórico?" Você diz. E eles retrucam:

"Tá repreendido Satanás!!! É o Espírito que revela", grita o (neo) pentecostal. "Acha que sabe de algo? Mas quem sabe sou eu; fiz seminário na Mackenzie e agora ganho dez salários mínimos".

  E depois disso continua o pastor presbiteriano riquinho com um tal papo de eleiçāo, dizendo que Deus pôs marcas em bois; um vai pro céu cantar no coralzinho; outro vai pro inferno ser churrasquinho, porque Deus é mimadinho. Um capricho aqui e outro ali e Deus é seletor de carne Friboi, sem direito a frigorífico. E então a festa da misoginia começa: já viu pastora presbiteriana ou mulher do padre? Só em brincadeira, irmāo!

 "Mulher é a ruína, coisa do capiroto..." comeu do fruto e afundou o senhor Adão. Mais um mito típico de cuzão; perdão, irmão! Palavrão também não pode, não. O seu Paulo (apóstolo) disse que mulher é submissa e não manda não; se pá ainda usa véu e se reclamar é cartão vermelho do maridão. Ele se diz o cabeça, dá as ordens e tem autoridade vinda do Chefão Celeste. E o homossexual, então? Vish, tocar nesse assunto é B.O na certa; nas igrejas a homofobia é absorvida por osmose. E se entrar uma trans na igreja então? Tá amarrado, marginalizado e excluída! 

Vê então que a "cosmofobia" (medo de pessoas do "mundo", afinal eles são de Marte) é uma realidade! Fumar cachimbo da paz? Tá maluco? Erva só capim cidreira e chá de camomila!

 E aí... você ainda quer brincar de ser cristão? Isso é coisa de vilão!

 Qual é o lado bom então? Tirando essas tralhas todas... o ideal é legal. A ideia de que o favor imerecido constrange, deixa qualquer um desconcertado. O amor incondicional, o perdão? O não julgamento, humildade, gratidão e respeito? É tudo!  O serviço social (não entrarei nas motivações por trás) ajuda aquele que precisa de ajudas. A caridade, a doação, cesta básica e o grupo social que te dá apoio para "vencer na vida" e depois contar a história de superação... é algo bom. A alienação da realidade como ela de fato é, ainda está em discussão; Nietzsche abomina essa troca da vida aqui na Terra pela vida no suposto céu. Mas diante dos que se matam por contemplar demais a realidade... os cristãos nesse ponto saem no "lucro". Afinal, as estórinhas com finais felizes sempre são mais legais.  

E aí, ainda compensa ser um cristão? O Nazareno nunca foi um, caso você se inspire nele; nunca disse a seus discípulos, "vocês agora são cristãos!"

#Prosador
 

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