Aprender a pensar é essencial; aprender a desaprender para aprender coisas novas... é imprescindível. Em reconstrução permanente!
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Como Você lê as Escrituras?
"Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” “O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”
Ele respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá”.
(Lucas, 10: 25 à 28 -Nvi)
O trecho acima, relata uma conversa muito interessante entre Jesus e este perito na lei. Ele pergunta uma questão importante a Jesus e em vez de responder, Jesus faz uma pergunta: "O que está escrito na lei e como você a lê?" Jesus poderia facilmente responder a questão, porém, quis ouvir sobre como aquele perito interpretava a lei. A grande lição que podemos extrair deste texto é a autonomia ao lermos a Bíblia. Outro exemplo está em Atos 17:11, nos famosos cristãos de Bereia, que examinavam as Escrituras para conferirem se o que Paulo, o grande apóstolo, dizia, era verdade mesmo. E por isso Lucas diz que eles eram mais nobres.
"Logo que anoiteceu, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Chegando ali, eles foram à sinagoga judaica. Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo."
(Atos, 17:10 e 11 -Nvi).
Ora, muitos usam do jargão de que estão apenas "falando da Palavra de Deus". E eu digo que é verdade; mas a partir do momento que eu ou qualquer outra pessoa leia a Bíblia e explique o que leu... ela está lendo a Palavra de Deus segundo a sua ótica, segundo a sua subjetividade e experiências de vida; o que torna o pregador parcial. Não há imparcialidade no homem, seja quem ele for, e os bereianos entenderam isso. Todos concordamos nos fundamentos básicos, como o fato de Jesus ser Senhor, Filho de Deus, sobre a graça de Deus e por ai vai. Estas coisas estão explícitas na Bíblia; mas a aplicação destes princípios na nossa vida e a forma como vemos outras questões que não estão claras na Bíblia, ou que estão, mas são vistas de diferentes formas, devem ser analisadas e cada um deve ter convicção do que crê; pois afinal, não é o pastor que vai viver por você, caro leitor, mas você é quem vive o Evangelho e precisa ter o seu próprio ver de quem é Ele. A Bíblia em si, pode ser usada para defender qualquer ponto de vista e fazer inúmeras aplicações. Posso ler textos de um pressuposto e montar uma teologia sistemática, posso defender um sistema econômico ou político pelo Velho Testamento, como uma monarquia ou uma república e uma serie de coisas. Por isso, o Espírito Santo e o relacionamento são fundamentais para a nossa vida em Deus. Ele sabe falar com cada um da forma que cada um entenda, assim, conhecimento de Deus (Os 6:3) tem a ver com relacionamento.
Lutero foi a voz da Reforma Protestante que defendeu a livre interpretação das Escrituras e o fim do monopólio revelacional dos papas. Porém, com o decorrer dela na Europa e o surgimento de várias vertentes, brigas e intolerância pelas divergências, o monopólio continuou de forma mais sutil. Hoje, temos várias denominações evangélicas e confissões de fé padronizadas; pastores que arrogam-se detentores da revelação de Deus e do conhecimento bíblico e que depositam fé em suas doutrinas denominacionais. Isto vem do ser humano, arrogante e parcial por natureza. Mas o problema está quando a discordância é intolerada e beiramos algum totalitarismo religioso. E não há necessidade de sermos doutorados em teologia para conhecermos a Deus, pois a revelação de Deus vem pelo nosso relacionamento com Ele; pelo que vemos na Bíblia, usando Jesus e o que experienciamos nEle como lentes para isto. E nem por isso deixaremos de ser subjetivos. Mas será a sua subjetivdade, afinal é você que vai viver a sua vida com Deus.
#Prosador
Gostou? Curta a pag no Facebook "Entre Prosas&Poemas" e leia outros textos.
Imagem retirada em:
<https://www.pexels.com/photo/antique-book-hand-knowledge-207681/>
Acesso: Outubro, 2017.
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
A Dialética da Vida
A dialética de Hegel pode ser "resumida" no seguinte esquema simplista: Tese; Antítese e Síntese. Um triângulo é usado como um excelente esquema. Mas não quero, meramente, esboçar um conceito filosófico sem elucidar algum sentido a esta ideia através de exemplos práticos e empíricos no cotidiano. Uma tese representa um pensamento ou uma forma como enxergamos alguma verdade ou fato; ampliando para outro contexto, seria um estilo de vida como consequência desta visão de um fato. Como somos seres humanos subjetivos e diversificados em nossa forma de pensar, de acordo com a cultura, criação e particularidades que herdamos, sempre teremos visões diversas e até contradizentes, ou pelo menos, aparentemente contradizentes. Por isso, a antítese é esta contradição da ideia anterior de uma pessoa ou qualquer sistema ideológico, baseado em verdades ou pseudoverdades. O que Hegel explana em sua teoria é que a síntese é resultado de um confronto entre essas ideias opostas e que irá gerar um novo resultado e cosmovisão de mundo. Sendo algo muito presente e importante na realidade humana. Vou citar alguns exemplos práticos através desta minha ilustração:
"Ah, a dialética hegeliana. O debate de ideias, discussão gerando mais discussão; algumas pacíficas e humanizadas, outras... agressivas e retardatárias.
Porventura, quem seria:
O Super Homem sem Lex Luthor, Batman sem Coringa; Rocky Balboa sem Apollo Creed, Capitalismo sem Socialismo, ou Liberal sem Conservador; Ateu sem um Cristão?
Quem seria Armínio sem Calvino, ou o acróstico e a sistematização do calvinismo, sem o arminianismo; Lutero e a Reforma, sem a Igreja Católica, ou a Contrarreforma sem a Reforma?
Quem seria Son Goku sem Freeza e Majin Boo; Vegeta sem Goku; ou no futebol: Brasil sem a Argentina, Palmeiras sem Corinthians? Nestlé sem a Garoto, ou Vanish sem Omo?"
Assim, os confrontos e a dialética (debate de ideias), gera amadurecimento e crescimento entre nós. Nós somos, em parte, produtos de uma intensa dialética desde o começo do mundo. Os embates e as crises da vida geram crescimento e fortalecimento a quem não se curva diante delas e continua caminhando. Os nossos adversários, sejam lá quem ou o que forem, são nossos professores na vida; aprendemos com eles, nem que seja a como perder. Aprendemos a aprofundar nossas convicções e habilidades com os que pensam de forma divergente de nós, e assim a vida segue e florescemos conscientes de que o "certo e errado, o bom e o mau, herói ou o vilão, o caos e a ordem" se complementam, mesmo que não percebam. Porém, a síntese do hoje, acaba sendo a tese de amanhã, defrontando-se com uma antítese, sendo este um processo infinito.
Gostou? Curta a Pag no Facebook "Entre Prosas&Poemas" e leia outros textos.
Imagem retirada em:
<http://oridesmjr.blogspot.com.br/2013/09/conservador-e-liberal-liberal-e.html?m=1>
Acesso: Outubro, 2017.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Lutero e sua fé
Neste ano (2017), totalizando quinhentos anos da reforma, Lutero ganha maior objeto de lembranças. Para mim, Lutero é uma grande inspiração de alguém que descansou na vida pela fé e na graça de Cristo. Lutero era filho de pais exigentes e autoritários; seu pai queria que o filho fosse um bem sucedido advogado e sua mãe não era um mar de rosas. Lutero cresceu em uma época em que a igreja católica monopolizava a Bíblia e era "intermediária" entre Deus e o homem. A igreja, na verdade, era corrupta e cheia de mazelas; um monopólio do epstemológico (conhecimento), econômico e político. A igreja vendia salvações, perdão de pecados e tinha o poder de excomungar um cristão e a consequência disto seria a sua ida para o inferno. Lutero cresce neste contexto em que para conseguir a salvação era necessário fazer ritos e merecê-la. Por crescer em um lar rígido e exigente, Lutero sempre dava o seu melhor em tudo o que fazia, pois procurava a aprovação que não teve de seu pai. Isso foi projetado em Deus, pois Lutero não se contentava com nada que fazia, achando que Deus o rejeitaria. Ingressou na ordem agostiniana e lá foi o mais dedicado entre os monges. Se castigava, dormia na neve sem roupa e cumpria disciplinas rígidas. Um dia, ao ir para Roma (a capital da igreja católica) se frustrou com a falta de diligência e corrupção dos padres; viu a hipocrisia e calamidade de cleros egoístas e mentirosos. Com isto, começa a estudar a Bíblia já na Alemanha (que ainda não se formara como nação) para dar aulas para jovens e se aplica em conhecer a Bíblia, estudando idiomas como o hebraico e o grego. Lutero então, descobre que o justo vive pela fé e que tudo o que estava vivendo era uma farça. Logo ele... aquele que achava que tudo naquela época era a base do mérito, aprende que quando se trata de Deus... a questão muda pois ninguém consegue o mérito de ser aceito por Deus. A grande questão era que a igreja católica fazia missas em latim e o povo não entendia o que era falado na Bíblia, pois ela também só existia em latim (pois poucos falavam e falam latim), assim Lutero iniciou um processo de afronta contra a hipocrisia da igreja e pregou suas 95 teses e espalhou cartazes com frases do tipo: "Se roma não é um dos maiores bordeis, eu não sei o que significa a palavra bordeu". Desta forma, Lutero resistiu bravamente a ponto de traduzir a Bíblia para a língua vernácula cotidiana e dar origem à Reforma Protestante.
A grande lição que nosso professor Lutero nos ensinou com sua vida é que a Bíblia era para ser lida por cada um, sem intermediadores em nossa vida com Deus, pois só um é intermediador, Jesus Cristo; a chave hermenêutica e existencial de toda a nossa vida. Sendo assim, Lutero não compactuou com a sacanagem (literalmente) dos padres e clérigos que usavam Deus e a Bíblia para manipular as pessoas em troca e estatus e riquezas. (Coisa que ainda existe hoje). Lutero defendeu a livre interpretação das escrituras e autonomia na leitura, antes da reforma posteriormente acabar, de certa forma, aburguesada e transformar a igreja (evangélica e cia) em uma instituição financeira de lucro (em muitos casos por ai, onde o dízimo que é imposto e com 'base bíblica' como "um ato de fidelidade ao Senhor" ou também usado como barganha, na verdade, é usado de má fé por algumas igrejas, hoje em dia). Nossa função como cristãos é termos relacionanento com Deus, sem intermediários ou cartilhas religiosas padronizadas, mas uma fé autêntica e baseada no que vemos na Bíblia em Cristo, pois: "Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento".
(Colossenses 2:3 -Nvi).
#Prosador
(Gostou? Curta a pag no Facebook "Entre Prosas&Poemas" e leia sobre outros assuntos).
Imagem disponível em:
<http://gracelutheranraleigh.org/WP_2013/95-reasons/>
Acesso: Outubro, 2017.
sábado, 14 de outubro de 2017
"Humani(vai)dade"
Como é bem humano sermos humanos.
Humanidade, sinônimo de erro; cheia de vaidade. Somos todos seres errantes e mega variantes. Deveras extravagantes, no ato de andar como gigantes, de modo assaz errante.
Sonhamos em ser romanos, ao menos um pouco menos humanos, mas dominantes e imperiosos. Somos escravos em nossa própria liberdade, livre arbítrio ou coisa do tipo.
Soberania divina? "Apenas a nossa!"
exclama nosso ego inflado.
Porém estupefato diante das fraquezas que nos dilaceram e nos conduzem à sepultura e ao sheol dos dias atuais.
Com o passar do tempo e a razão estapafúrdia, martelando
em nossas mentes, clima gélido e pragmático... clama o grito
da razão: "Sou pó; nada mais, porém nada a menos!"
#Prosador
(Gostou? Curta a Pag no facebook: "Entre Prosas&Poemas" e veja outros textos).
Imagem retirada em:
<http://ricardobmello.com/blog/2016/11/curando-vaidade-neurotica.html>
Acesso em: Outubro, 2017.
Fé e razão; até que ponto?
Caro leitor(a), estive refletindo agora pouco, no meio das minhas corriqueiras crises existenciais, e tenho analisado o mundo de hoje. Caso não saibam, faço História; tenho estudado sobre o Humanismo e suas contribuições para a contemporâneidade de hoje. O Humanismo, a grosso modo, surge com o Renascimento (séculos XIV ao XVIII), onde as culturas greco-romanas foram resgatadas pelo povo da Idade Média, os Burgueses mais especificamente. A questão é que o Humanismo foi uma reação à mentalidade que imperava sobre a "Idade das Trevas" em que reinava o Teocentrismo ("Deus" no centro de tudo; mas na verdade Deus não era o centro na prática, era somente a corrupção da igreja católica e seu proselitismo religioso e ditadura eclesiástica). Assim sendo, com a vinda do humanismo, a alienação do homem não era mais a religião que oprimia, mas agora as ciências e o conhecimento, ainda mais com a difusão do Iluminismo, pela Revolução Francesa. A ciência foi a luz que tirou as vítimas da igreja católica do monopólio epistemológico (do conhecimento) e foi de fato algo bom. Porém, hoje, vejo que como tudo em excesso faz mau, nossa tendência como homens do século XXI é pautar tudo na ciência, ou pseudociência, pois na verdade a ciência é manipulável pois é produzida pelo homem; e o homem é partidário e tendencioso em tudo o que faz. Criacionistas usam a ciência com o mesmo objetivo que os ateus usam, ela virou a linguagem universal. Hoje li um assunto num blog em que um certo bispo usou da "ciência" para dizer que a homossexualidade é genética e o indivíduo nasce assim; com isso ele ainda disse que temos que rever o que pregamos no púlpito por causa dessa descoberta. Então rasgarei trechos da minha Bíblia para depois seguir sua orientação? Nada disso. Esse é um bom exemplo de que o deus do homem pós-moderno é a ciência e que subjuga todas as coisas, ao invés de Cristo subjugar elas. Acontece que os autores que o bispo citou eram controvertidos e foram alertados por outros acadêmicos de terem falhado em suas pesquisas sobre esse "gêne gay" e outros nomes complicados lá. Não estou aqui sendo a favor do preconceito, pois não tenho nada contra homoafetivos e tenho amigos que são assim, apenas discordo desse pretexto de usar a "ciência" pra invalidar a Bíblia, pois afinal tenho convicção de que verdadeira ciência sempre irá testificar a revelação de Deus. Lembrei de algo que Deus disse em Isaías e creio que ainda hoje nos grita: "A relva murcha e cai a sua flor, quando o vento do Senhor sopra sobre eles; o povo não passa de relva. A relva murcha, e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Isaías, 40:7 e 8 -Nvi).
A grande questão é que a ciência sempre oscila até consolidar suas descobertas e visto que é uma produção humana... sempre será infinitamente pálida perto da revelação de Deus, que permanece para sempre. O grande desafio meu e de muitos outros que amam a ciência é não deixar que ela seja nossa mediadora entre Jesus e nós. Afinal, a vida pela fé transcende e muito a razão humana que é falível e mutável.
#Prosador
(Gostou? Curta a Pag no facebook: "Entre Prosas&Poemas" e veja outros textos).
Imagem disponível em:
<http://livroterrapapagalli.blogspot.com.br/2016/08/relacao-do-humanismo-na-obra-literaria.html?m=1>
Acesso: Outubro, 2017.
" O Deus de todos os povos"
Ultimamente tenho refletido na grandeza e na soberania de Deus e confesso que antes minha visão era que Ele era somente o Deus dos Hebreus no Antigo Testamento, afinal, a Bíblia conta a história pela narrativa deles. E essa dúvida ou inquietação ecoava em minha mente; até que comecei a ler trechos da Bíblia, mencionando personagens que não eram da linhagem de Abraão e que conheciam a Deus.
(Ver Gn 14:18, Nm 22:9, Jó, Amós 9:7, Jn 3:5, Atos 17:23 ). E este trecho mais me chamou a atenção: " Pois do oriente ao ocidente, grande é o meu nome entre as nações. Em toda parte incenso é queimado e ofertas puras são trazidas ao meu nome, porque grande é o meu nome entre as nações”, diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias, 1:11 - Nvi).
E diante de tudo isso, e de relatos históricos de Deus em várias outras antigas civilizações, através do livro "O Fator Melquisedeque" (disponível em PDF no Google), vejo o quanto Deus é livre para agir e ama a humanidade. E chego à seguinte conclusão, por meio de William Shakespeare: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia" (ou teologia nesse caso).
#Prosador
(Gostou? Curta a Pag no facebook: "Entre Prosas&Poemas" e veja outros textos).
Disponível em:
<https://www.pensador.com/frase/MjM3ODQ/>
Acesso: Outubro, 2017.
Batendo Continência
Muitas vezes Jesus falou acerca do Reino de Deus em sua época. Mas o que seria o Reino de Deus? Essa é uma pergunta primordial para se entender aonde nos enquadramos como cristãos... perdão, esqueça o "aonde", que não tem a ver com lugares geográficos (oh mania nossa de querer definir lugares e padrões, hein). Mas voltando ao assunto... entender o que é o Reino de Deus nos tranquiliza do ato que eu chamo de "bater continência". Mas o que seria isso? Bater continência é uma atitude tendenciosa em nós, que ocorre quando não assimilamos que viver no Reino não tem a ver com lugares ou fazer coisas por fazer. O Reino não tem a ver com a frequência de cultos na semana ou a participação de ministérios da nossa igreja (embora isto seja importante, mas não defina o que é Reino de Deus). Então, nada melhor que o Mestre Divino encarnado, para nos explicar o que seria o Reino de Deus:
"Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lucas, 17:20 e 21 -Nvi).
Ora, os peritos da religião e conhecedores da Torá, chamados fariseus, não entendiam o princípio do Reino de Deus. Verdade seja que nos dias deles a palavra "Reino de Deus" não eram um conceito consolidado se comparado a hoje; mas mesmo assim João Batista se esgoelava falando do "Reino de Deus". Hoje, porém, embora tenhamos dogmaticamente o conceito de "Reino de Deus", na nossa alma ainda somos lentos para assimilar e digeri-lo. Mas Jesus deixa explícito que o Reino de Deus não tem forma visível e nem se prende a estruturas ou cultos em quatro paredes.
E em minha trajetória de vida eu percebo que há pessoas que se prendem aos ministérios ou aos cultos de domingo como se fosse ali um "mini Reino" para um desencargo de consciência. Ou seja, o indivíduo de forma inconsciente exclama para si: "Já fiz minha parte ensinando as crianças" ou " já ministrei o louvor", "já cuidei dos jovens", ou "já coloquei minha roupa social e fui para o culto e de manhã para a escola dominical, então estou sendo produtivo no Reino do Senhor". Como se tivessemos quitar uma dívida com Deus ou fazer algo para Ele, como se Deus precisasse de favores ou da nossa barganha psicossomática diária. E assim, de forma sutil e suave... batemos continência. Ps: não estou dizendo que essas coisas não sejam importantes, mas se fazemos isso para desencargo de consciência, por obrigação e não entendemos que o Reino de Deus está no coração e acompanha tudo o que fazemos, de forma eclesiástica ou não, não entendemos o Evangelho. A grande questão é que o ser humano por si mesmo é acomodado e tem medo do novo e de andar sem uma rota. Então ele cria de forma artificial uma diretriz, ou um "mini-reino" que na verdade não é o Reino.
Andar por fé é andar no dia a dia movido pelo que a rotina nos mostra em relação ao que fazer ou não, sem padronizações, sem artificialidade de caminhada cristã. O Reino de Deus se manifesta quando simplesmente ouvimos alguém que precisava da nossa humanidade. Dos nossos ouvidos emprestados, nem tanto de conselhos; mas de atenção ou de um abraço. Ou alguém que precisava de uma ajuda mínima: uma carona, um abraço, um lanche, um sorriso... e pequenas coisas que demonstram o Reino através do fato de sermos humanos no trato com o próximo. Não existe então, uma espiritualidade que nos isola do próximo ou que quer membros sentados no banco de igreja, isto existe em todas religiões. Jesus é o exemplo perfeito, que sendo Deus era humano com todos, e sendo humano com todos era Deus.
O Reino então... é tudo e é nada! Nada para os rótulos, chavões ou lugares geográficos de culto; e tudo no sentido de que o que fazemos... fazemos movidos pela mentalidade de Cristo em nós; pois o culto é na vida e a vida é um culto pulsante de vinte e quatro horas por dia. Assim, largamos a continência de um dia específico ou momentos específicos e batemos continência com o pulsar incessante do nosso coração de carne.
#Prosador
(Gostou? Curta a Pag no facebook: "Entre Prosas&Poemas" e veja outros textos).
Imagem retirada em:
<http://semcensor.blogspot.com.br/2014/03/?m=1>
Acesso: Outubro, 2017.
Assinar:
Postagens (Atom)






