Frankenstein sempre foi um bom homem... tinha um casamento normal e exemplar. Seus filhos estudavam em escolas particulares e eram levados de carro todos os dias.
Um engenheiro que não deixava faltar nada a sua família e que ajudava seus familiares bem como a vizinhança não era algo de se passar batido.
Não havia vida dupla em sua história, pelo menos é o que todos sempre acharam. Ele era católico, assistia futebol com os colegas do trabalho e frequentava os happy hours de sexta a noite.
Tinha uma rotina previsível demais; era tranquilo demais, metódico e previsível como a maioria de seus compatriotas.
Um dia, sem mais nem menos, após levar seus filhos à escola e fazer uma pausa para almoçar... Frankenstein estacionou o carro em uma rua sem muito movimentos. Olhou para seu lanche: uma embalagem de fast food e depois de comer seu lanche de forma calma e fria... respondeu fortuitamente a mensagem de seu chefe sobre os relatórios da semana passada.
Após um tempo em profundo silêncio e sem demonstrar qualquer expressão... tateou o assoalho abaixo do banco do motorista e pegou uma arma.
As cenas seguintes são as mais comuns de filmes de suspense: ele aponta o cano da arma em direção às suas têmporas e puxa o gatilho. Horas depois é identificado e gera um misto de emoções em toda sua comunidade, bem como perguntas sem respostas que atormentam a mente dos mais próximos.
"O que teria levado Frankenstein a cometer tal sandice?"
Frankenstein sofria do pior dos males que compensava toda a vida perfeita e exemplar que ele tinha: Frankenstein era incapaz de amar! Amar a si, sua família, e qualquer coisa que fazia; apenas cumpria todos os protocolos sociais e responsabilidades que a sociedade lhe exigia. No final de tudo, sua morte física foi apenas uma tácita consequência de sua morte interior, disfarçada por todas as morais e princípios que ele carregava diante de todos.
O ato mais lúcido de Frankenstein, talvez, tenha sido dar cabo de tanta encenação que se prolongava por anos. Lamentável seja que a forma que ele encontrou de dar cabo a tudo isto tenha sido a sua autoaniquilação.
-Gabriel Meiller
.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário