Quão difícil é ao ser humano o caminho do meio, ou melhor, como diria Nietzsche: desenvolver a arte da nuance. O homem (pós) moderno que baseia a sua vida pelo "sim" e pelo "não" ao invés do "talvez" ou do "Sim, porém..." ou "Não, entretanto..." tem um pesado fardo a carregar. Ele será batido no liquidificador e moído no moinho da vida que cobrará ele por este temperamento afoitamente jovial e globalizado. Digo-lhes que este não sairá do moedor até que lhe pague o último centavo e preste continência à arte da vida em nuances.
O fantasma desses tempos, que tem assombrado a realidade dos tecidos sociais, é a rotulação excessiva. Este diabo deve ser exorcizado do coração dos desafortunados que imergiram sem filtros e proteções na realidade das redes sociais e na opinião dos influencers. A bipolarização continua uma característica deveras moderna, mas nada nova debaixo do sol. Esquerdista ou direitista; gay ou hétero; nacional ou internacional; patrão ou trabalhador; saudável ou tóxico; magro ou gordo... todas simplificações por um "sim" e por um "não"; por uma linha reta ou um círculo.
E observando o longo testemunho que a história tem fornecido deste museu de grandes novidades... vejo que a humanidade é este amontoado de fenômenos inadjetiváveis e algo impossível de expressar em palavras sem reduzir o significado inexpressível do que de fato ela é! Basta apenas dizer que a humanidade é! (O Real de Lacan)... apenas é! E este "é" causa grande espanto e temeridade, ao mesmo tempo que maravilhamento e contemplação.
Poderia algo mais se dizer sobre tudo isso? Seria apenas prolongar o que já se deu por encerrado, chutar cachorro morto. O silêncio da reflexão e a contemplação em pensamento oceânico sobre tudo o que é a humanidade... basta!
-Gabriel Meiller
Nenhum comentário:
Postar um comentário