O que nós procuramos além da gincana capitalista pós-moderna? O que vai além do aperfeiçoamento para o mercado de trabalho que começa na obrigação de ir para a escola e só termina na aposentadoria? Senhores, não sejamos ingênuos; todos nós já nos pegamos em pensamentos mais profundos sobre o sentido da vida e sobre a natureza da verdade. Se regredirmos no tempo histórico veremos que havia uma explicação metafísica que definia verdades imutáveis e que faziam parte do pensamento filosófico de forma muito mais contundente do que hoje. Entretanto, houve uma cisão entre explicações metafísicas e idealistas. O homem começou a pensar de uma forma que excluísse a oposição entre o sagrado e o profano, entre forças criadoras absolutas. E então essa crise epistemológica na concepção de mundo gerou uma relativização sobre os conhecimentos filosóficos e científicos. A epistemologia moderna é uma epistemologia com uma diversidade muito grande de explicações sobre os fenômenos da existência. As perguntas mais cabeludas se pautam sobre a absolutização de alguma destas explicações. "A verdade é uma só, portanto, alguém está certo e alguém está errado." Essa linha de pensamento, fiel à concepção metafísica, nos deixa desorientados em uma "época da pós-verdade." Qual religião está certa? Qual abordagem é a melhor? O homem tem um espírito pragmático e excludente por natureza. É possível alcançar a verdade absoluta ou ela é intocável? E se a verdade absoluta for uma ilusão da mente? Um jogo teórico apenas? A verdade é o que consideramos como tal? Ou a verdade existe independente da nossa interpretação?
A insistência nessa busca pode beirar a insanidade e o desbussolamento da falta de sentido. Estamos presos, acima de tudo, na linguagem e nos enganos da linguagem. Precisamos definir e entender o que é "verdade" e o que ela significa. E depois estamos presos dentro das nossas limitações biológicas e na nossa finitude do tempo-espaço. Certamente ninguém será capaz de averiguar e bater o martelo sobre a Verdade Absoluta. A fé será uma resposta pessoal e individual, mas nada poderá garantir que ela está certa nem o que significa ela estar certa; a ciência se limitará ao que se pode reproduzir em laboratórios e em especulações físico-matemáticas sobre o universo.
Logo, o problema não se trata de encontrar a Verdade; mas se trata de escolher um eixo, uma filosofia, uma crença, um refúgio! Se me alegra ser cristão... cristão serei; se me torno mais completo sendo um ateu, ateu serei; se minha filosofia de vida for me entregar a uma busca científica e uma vida pautada na ciência, dignificado serei por isto caso isto me apeteça. É um pacto! Uma abstenção da longa procura perambulante pela "Verdade" da existência. Escolha uma verdade, então! Mesmo que outro a julgue uma mentira e lhe chame de herege! Viva de acordo com alguma filosofia de vida, dê sentido ao que acreditas! Porque a busca não importa mais, visto que não há um achado! O achado é a preciosidade do "durante", do presente de se vivenciar a vida sem saber o que ela é!
-Gabriel Meiller
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