Desenformar, tirar da forma... das formas normativas! As normatividades não são apenas fruto do tão atacado capitalismo e seus tentáculos. As formas estão presentes nos contrasistemas que criticam o próprio sistema vigente. E muitos dos desconstruídos da moral capitalista nutrem sua própria nova normatividade: a da redenção das mazelas do mundo por meio da utopia marxista. Vamos para além de qualquer sistemática moral de todos os espectros: montemos nós a nossa própria concepção de mundo, pautada em sistemas morais de forma parcial, sem nutrir a obrigação para com os dogmas laicos, visto que não precisamos mais alertar para os velhos dogmas: os religiosos. São os novos dogmas que estão seduzindo os homens seculares de forma avassaladora.
O desenformamento individual significa a coragem para o indivíduo ser contraditório num mundo que prega harmonia ideológica. Nós, seres humanos, nunca fomos harmônicos em nada, apesar de amarmos nos iludir nessa crença da harmonia. Sim: podemos acreditar na ciência e em demônios; sim, podemos pregar equidade social e sermos egoístas; sim, podemos ser, no limite, hipócritas. E mesmo se não fosse permitido, seríamos mesmo sem almejar ser!
Tenho orgulho em ser covarde e em admitir a minha covardia em um mundo que prega coragem sem limites e que no final pode liquidar a minha vida.
Tenho orgulho em ser individualista e egoísta em um mundo que prega a predominância da coletividade até o ponto de esmagar e massificar as individualidades por meio da moral de rebanho e do "tu deves" moralista dos religiosos ou dos marxistas: essas são duas faces de uma mesma moeda.
Tenho orgulho de ser vagabundo em meio ao espírito empreendedor e à moral puritana de que o trabalho enobrece. Quero a redenção do sistema de opressão trabalhista que faz o trabalhador achar que precisa ser uma massa moldável a todas as decisões dos que batem a meta e depois a dobram só por capricho!
Tenho orgulho de ser pecador em meio a uma cultura pseudolaica e que mistura constantemente a política pública com a moral religiosa. Quero, sim, ir para o chamado "inferno" e para "o caminho da perdição" daqueles que acreditam que herdarão novos céus e nova terra após a morte. Vosso deus é o próprio diabo que deixou o inferno para se preocupar com aborto, homossexualidade, fornicação e qualquer asneira que vosso livro prega, não é mesmo? Então nada mais justo que eu vá para onde ele não estará: no inferno.
Tenho orgulho em não ceder e não vender minhas ambições a qualquer um que queira me amalgamar em alguma visão de mundo que ofereça homogeneidade e harmonização. A harmonização é a morte do ego, a amputação da diversidade, da verdadeira diversidade que nem os marxistas entendem porque nutrem o ideal de harmonia e igualdade social ao mundo.
O que mais dizer? A coragem do desenformamento exige uma única renúncia: não renunciar em nada que seja pedido por outrem. Não existe uma renúncia inerente à vida, a não ser a renúncia por quem percebe que ela é necessária e de bom grado para si próprio.
-Gabriel Meiller
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