sábado, 13 de julho de 2024

O novo ópio do povo

 


"A religião é o ópio do povo..." constatou Karl Marx. Sim, ele estava certo em suas análises e constatações sobre as engrenagens do capitalismo.  O marxismo é uma excelente análise do modus  operandi do capitalismo, não há dúvida. Entretanto, o grande delírio marxista é a solução do problema que essa teoria visa postular: a extinção do capitalismo como crença de que o mundo terá a melhor versão da humanidade. 


O fim do capitalismo significa a redenção da humanidade, seja essa redenção parcial ou plena? Loucura! Os problemas da humanidade são inerentes a ela desde que o mundo é mundo. A humanidade nutre o instinto de acumulação, isto é, a famosa ganância. A hierarquia social também é algo precedente que remete aos primatas e outros animais e não somente ao homo sapiens. Neste sentido não estou fazendo um juízo de valor da hierarquia e da ganância, mas apenas observando esses fenômenos como fenômenos inerentes ao ser humano até o momento. 


E a grande aspiração marxista postulou alguma solução pré-capitalista para esses problemas? Se postulou, quais as possibilidades reais de aplicação dessa solução? Essas problemáticas certamente são árduas  e exigem muita ponderação antes da chegada da esperança de um  mundo melhor. Será possível alcançar o delírio marxista de que se poderia estabelecer algo próximo de um paraíso na Terra? O anarquismo criticou o socialismo justamente por postular que a transição do capitalismo para o comunismo seria bem sucedida ao colocar o Estado como meio de transição sem considerar a iminência de corrupção do proletariado que estaria no controle do Estado. 


Resumindo a problemática: podemos dizer que Marx foi assertivo em sua análise, mas delirante em sua proposta de solução. Marx secularizou a redenção cristã e transformou o marxismo em um potente ópio para o povo que acredita ter consciência de classe, nutrindo a esperança do paraíso na Terra por meio da cartilha da militância e do evangelho de Marx. Antes que a esperança se restringisse a um plano inexistente chamado de céu, pois  assim, após a morte,  a frustração não viria sob forma de amargura.  Mas a esperança foi tida como algo possível de se concretizar neste plano, tomado pela natureza humana hobesiana  que reina sem nenhum pudor e adoece cada vez mais o coração marxista iludido por uma metafísica secular. 


Em resumo rudimentar: o marxismo como solução é uma esperança refinada, mas nem por isso menos errônea e no final: uma ilusão amarga. 


-Gabriel Meiller

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