Sim, sou um belo de um ridículo; daqueles que não tem vergonha e não se interessa pela correção alheia expressa nos olhares de desaprovação ou de caçoamento.
Sim, eu sou um fanfarrão que não tem pudor em dizer uma coisa e fazer outra. Eu digo: nunca mais... e no dia seguinte estou lá, cultuando meu inferno. Eu digo: sempre amarei, mas em algumas semanas estou fazendo ataques sistemáticos àquilo que amava.
Eu sou o homem do subsolo, composto por Dostoiévski; perdi as contas de quantos indivíduos me acharam ridículo e eu ainda disse: é verdade! Perdi as contas de quantas vezes voltei com a minha ex; perdi as contas de quantas vezes eu fui cínico só por divertimento e por tédio. A verdade é que sou isto: contraditório. E deste pecado eu não me privo, pois só se contradiz quem tem direito a mudar de opinião e faz da vida o que ela é: dinâmica.
E alguns se inquietam com minha inteligência e perguntam: porque você é tão inteligente? E eu respondo: porque eu sou ridículo. E só é inteligente quem não tem medo de sair da tutela dos sensatos da moral da discrição. Só é inteligente quem não tem medo de se perder quando mergulha em diferentes atividades e áreas do conhecimento e de repente se sente em contradição, pois "conhecer" significa lidar com as "contradições do mundo".
Ah... a maioria é covarde; a maioria das pessoas decepa versões de si mesmas para que haja uma falsa harmonia: em desejos, em pensamentos, em ações. É por isso que eu sou ridículo: porque em mim habita a complexidade da vida e seus dinamismos! Em mim impera a eterna briga de pulsões e aspectos da vida, como: "sins" e "nãos", "bons" e "ruins", "lealdades" e "traições", "humildades" e "arrogâncias".
Aos que concordam com minha loucura, vos ofereço a coragem de serem o que o devir vos oferece. Aos que repudiam minha visão da vida, desejo-lhes um eterno foda-se, pois também são dignos do meu ódio, assim como seriam do meu amor: pois a indiferença é o contrário do amor e não o ódio. O ódio é o amor expresso de forma agressiva e visceral. Nisso também vos amo: odiando-vos e considerando-vos como dignos do combate, do constante confronto do Ágon.
Eu sou aquele que transcende a dualidade por meio de uma ponte desvirtuosa e detestada pelos sensatos: a contradição.
-Gabriel Meiller
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