segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A Morte de Deus


A Morte de Deus

 Quando disse Nietzsche que "Deus está morto", certamente ele estava certo. O fato de muitos contestarem com furor esta ideia e até terem lançado o filme "Deus não está morto" é fruto de uma má interpretação. Para Nietzsche, o deus do cristianismo estava morto, logo a sua frase: "Deus está morto!" Mas por que estou falando disso? Porque Deus tem morrido todos os dias para muitos e morreu para mim. O mesmo Deus de Nietzsche; Deus morreu para mim quando eu percebi que ele era um ídolo; quando descobri que as pessoas não vão para o inferno porque não aderiram a confissão cristã de Jesus como Senhor e Salvador. Morreu quando entendi que o inferno não é como idealiza a religião cristã de constantino que sobrevive até hoje. Morreu quando parei de ver a bíblia como um livro sagrado, infalível e literal em todos os sentidos (Gn 1ao 3 por exemplo). Na verdade, abomino esse Deus cristão; ele é egocêntrico, interventor de tudo, bipolar: pois um dia é amor e graça e outro ira e "justiça". Joga pecadores no inferno eterno porque nunca ouviram sobre Jesus ou rejeitaram o Jesus desfigurado da religião. De certo ele morreu quando percebi que toda essa doutrina sufocante é um fenômeno histórico, sociológico, psicopatológico e filosoficamente burro. Com todo o aparato histórico, pude ver a bíblia como ela é: falha, limitada, imperfeita, presa aos condicionamentos da cultura judaica machista e repressora. Mas para isso tive que me desprender do mito da verdade absoluta, do "não poder questionar" e do campo das doutrinas e dogmas que cegam e brutalizam um fiel. Não significa que a bíblia não seja importante e rica em conteúdos, etc... e nem que não seja um registro da experiência dos judeus com Deus; mas que ela é produto da imperfeição humana e por isso mesmo... inabsoluta e questionável em seus pontos. Não me refiro aos trechos das falas de Jesus Cristo e seus mandamentos (os considero universais e transcendentes de qualquer cultura) mas às outras coisas que não posso especificar agora por não ser o objetivo.

 Existem, assim, primariamente dois deuses cristãos (tirando o pastor que reina em seu púlpito) que são: a bíblia, e depois o deus cristão, reflexo da leitura cristã da bíblia. Ambos... morreram para muitos. Para alguns o verdadeiro Deus também, associado a esses deuses; infelizmente. Para outros... somente estes deuses cristãos, pois souberam separar maduramente a desfiguração da Realidade.

Mas quem é Deus então? Não sei; sei quem ele não é. Afinal, é muita pretensão saber definir Deus (aquele que não existe, pois está além da existência, pois a gerou e não vive dentro dela) e eu vou até esta definição, disto eu não passo. Mas existem outras definições sobre o Deus Indefinível: a islâmica, espírita, umbanda, ocultista, judaica, grega, indígenas e outras que estão cobertas e incobertas. Todas ou quase todas se arrogam absolutas e únicas em sua visão sobre Deus; trágico! E sendo assim, eu encerro dizendo: "Só sei que nada sei;" no espírito socrático que reconheceu seu estado verdadeiro na existência.
#Prosador

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