quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Uma Prosa sobre oTempo

 

Carrasco, mesquinho, aterrorizante e turturante. Representado por ponteiros numa sinfonia de onomatopéias que emanam o "tic" "tac" que nos desestabiliza. Desde o momento que saimos de um útero já estamos morrendo em uma constante decadência até a velhice, pois nos sujetamos a agência dele; a morte é um constante e contínuum processo, a menos que venha repentinamente por um acidente, quando ele se cansa e ceifa nossa vida! Quem é ele, de quem eu falo? "Ah, o tempo... o tempo não pára", como disse o ilustre poeta, derrotado pela grave Aids: Cazuza. É ele: o tempo! Quem testa duramente nossas palavras jogadas ao ar. Que aponta nossa piscina (da alma) cheia de ratos; nossas ideias que não correspondem aos fatos! Ele inferniza-nos quando prolonga nosso sofrimento e quando encurta nossos êxtases e irrompimentos de alegria. O tempo é imprevisível, ultrapassa o mero status de cronômetro e significado em datas de um calendário. "Tempo" significa evolução, mas também decadência; experiência, mas também infantilidade. Acúmulo de conhecimentos, mas também de burrices da arrogância. Uma coleção de alegrias e urras de felicidade; mas também a vinda do câncer em decorrência do lamaçal de emoções lúgubres e pesadas, cheias de amargura. O tempo é relativo quando nossas escolhas definem quem somos. O tempo... é somente um reflexo e uma consequência das nossas escolhas a curto, médio e longo prazo.
#Prosador

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Tributo a Bruce Lee: Alma, Mente e Corpo!



"Você ainda se enxerga como chinês ou norte americano?" - Perguntou certo entrevistador norte americano (de espírito mesquinho, talvez) ao Bruce Lee.
E ele responde, quebrando o espírito separatista e nacionalista por de trás da pergunta:
"Sabe como quero me ver? Como um ser humano!". E continuou o mestre Lee:  "Porque, sabe? Não quero soar como o Confúcio, mas debaixo do céu apenas existe uma família; é apenas causalidade que as pessoas sejam diferentes."
Deixando-me estapafúrdio com esta resposta, Brucee Lee resumiu meu pensamento. Somos como uma grande família: humanidade e não humanidades. O nacionalismo, as rivalidades políticas e econômicas, sociais e religiosas... trazem um espírito ariano e hitlerista na humanidade. Cristãos condenam pagãos e muçulmanos; muçulmanos discriminam os que são "infiéis" a Alá; católicos não se dão bem com protestantes; brasileiros são rivais de argentinos; o branco descrimina o negro que acumula raiva do branco; o norte americano olha com repúdio para o mexicano e o mexicano dá gargalhadas do venezuelano; o bolsonarista mata a facadas um petista haddadiano, e outro petista generaliza e chama todos de fascistas, etc e coisa e tal... e tal coisa. Mas somos todos filhos da existência de um mesmo DNA e características que nos tornam todos humanos. Todos filhos de Deus; chame-o de Alá, Javé, El Elyon, Viracocca, Odin, Pudim... não importa. Nossas diferenças não deviam ser motivo para nos desunir, mas para nos aperfeiçoarmos com toda diversidade. Nossas semelhanças deveriam ser um grande superbonder que nos une; mas para os que vivem como protagonistas e ainda não passaram para o lado de lá... isto soa como loucura. Ah, humanos!
#Prosador

Link desse diálogo:

https://youtu.be/vPLqYQUJAMM 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Política: Arte da Sabotagem



No Brasil, com todas estas propagandas e últimas notícias sobre a cumplicidade de empresários para divulgar notícias falsas contra o PT e para favorecer Jair Bolsonaro, percebemos que o Brasil sempre inovou o conceito de política. Antes, o conceito de política  que era a arte de governar, gerir o poder, gerir os problemas e garantir a segurança e demais direitos da população... foi transformado pelo Brasil na arte de sabotagem; desde os tempos do Império, quando D. Pedro I aderiu à "democracia", acrescentando aos poderes executivo, legislativo e judiciário, o poder moderador. Que significava a grosso modo sua arbitrariedade para anular propostas dos demais poderes caso não concordasse. No Brasil República a mesma coisa; através dos votos de cabresto, coligações entre os coronéis e os políticos para arrecadar muitos votos (coronelismo), fraudes no resultado da votação, voto aberto e coercitivo... e outras coisas da mesma extirpe. A lava Jato entrou em cena para mostrar que grande parte destes costumes e deste jeitinho brasileiro foderoso de ser... continua arraigado em nós e no Planalto. Desta forma, nos comerciais e debates, o que mais ocorre é o ataque ao adversário ao invés de maior ênfase nas propostas do próprio político. Esta é a arte da sabotagem no Brasil... muito mais do que em outros lugares. 
#Prosador

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A evolução da humanidade: do mítico ao literal cientificismo


Quando a humanidade estava no seu jardim de infância, Deus se encarregou de ajudá-la a entender suas origens. As mitologias cosmogônicas, ou seja, da criação do mundo, foram produzidas. Inclusive o gênesis, sendo uma mitologia adaptada da mitologia babilônica. O mito é uma verdade expressa por uma linguagem figurativa, e não uma mentira. Mas quando a humanidade saiu do seu jardim de infância e se tornou adolescente, já nos séculos XVII XVIII e XIX, (revoluções científicas), Deus a viu sair do mundo das fantasias e dar um vislumbre na literalidade e nos mistérios do Universo. Então Darwin tomou a palavra no grande palco da existência, e traduziu as fantasias para uma linguagem capaz de fazer abstrações e de raciocinar complexamente. Darwin explicou o surgimento do homem através da evolução. É bem verdade que Aristóteles e outros indivíduos já haviam pensado nisto; mas Darwin foi grande maestro em explicitar tudo o que os antigos deduziam. Então Deus sorriu e se alegrou quando a humanidade conseguiu caminhar com as próprias pernas. Mas ela ainda é adolescente, entre os seus 15 e 16 anos de idade... quase nos 17. Com muitas birras de adolescente, é claro; mas um dia ela aprende. Ela deu um grande passo ao descobrir o mundo quântico e formular suas teorias físicas, espaciais e a teoria da relatividade. Einstein e outros tiveram grande papel nisto; Deus também se alegrou disto e deu urras e vivas para ela. Pois finalmente... estão contemplando os resultados do seu grande BOOM há bilhões de anos atrás, que originou tudo. Os gregos sabiam disto e disseram: "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos". Mas ele não existe, pois ele está acima da existência; ELE É, apenas. "Ele é" é o status permanente da divindade chamada por uns de Alá, outros de Yaweh, Viracocha, Deus, etc.
#Prosador

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A Morte de Deus


A Morte de Deus

 Quando disse Nietzsche que "Deus está morto", certamente ele estava certo. O fato de muitos contestarem com furor esta ideia e até terem lançado o filme "Deus não está morto" é fruto de uma má interpretação. Para Nietzsche, o deus do cristianismo estava morto, logo a sua frase: "Deus está morto!" Mas por que estou falando disso? Porque Deus tem morrido todos os dias para muitos e morreu para mim. O mesmo Deus de Nietzsche; Deus morreu para mim quando eu percebi que ele era um ídolo; quando descobri que as pessoas não vão para o inferno porque não aderiram a confissão cristã de Jesus como Senhor e Salvador. Morreu quando entendi que o inferno não é como idealiza a religião cristã de constantino que sobrevive até hoje. Morreu quando parei de ver a bíblia como um livro sagrado, infalível e literal em todos os sentidos (Gn 1ao 3 por exemplo). Na verdade, abomino esse Deus cristão; ele é egocêntrico, interventor de tudo, bipolar: pois um dia é amor e graça e outro ira e "justiça". Joga pecadores no inferno eterno porque nunca ouviram sobre Jesus ou rejeitaram o Jesus desfigurado da religião. De certo ele morreu quando percebi que toda essa doutrina sufocante é um fenômeno histórico, sociológico, psicopatológico e filosoficamente burro. Com todo o aparato histórico, pude ver a bíblia como ela é: falha, limitada, imperfeita, presa aos condicionamentos da cultura judaica machista e repressora. Mas para isso tive que me desprender do mito da verdade absoluta, do "não poder questionar" e do campo das doutrinas e dogmas que cegam e brutalizam um fiel. Não significa que a bíblia não seja importante e rica em conteúdos, etc... e nem que não seja um registro da experiência dos judeus com Deus; mas que ela é produto da imperfeição humana e por isso mesmo... inabsoluta e questionável em seus pontos. Não me refiro aos trechos das falas de Jesus Cristo e seus mandamentos (os considero universais e transcendentes de qualquer cultura) mas às outras coisas que não posso especificar agora por não ser o objetivo.

 Existem, assim, primariamente dois deuses cristãos (tirando o pastor que reina em seu púlpito) que são: a bíblia, e depois o deus cristão, reflexo da leitura cristã da bíblia. Ambos... morreram para muitos. Para alguns o verdadeiro Deus também, associado a esses deuses; infelizmente. Para outros... somente estes deuses cristãos, pois souberam separar maduramente a desfiguração da Realidade.

Mas quem é Deus então? Não sei; sei quem ele não é. Afinal, é muita pretensão saber definir Deus (aquele que não existe, pois está além da existência, pois a gerou e não vive dentro dela) e eu vou até esta definição, disto eu não passo. Mas existem outras definições sobre o Deus Indefinível: a islâmica, espírita, umbanda, ocultista, judaica, grega, indígenas e outras que estão cobertas e incobertas. Todas ou quase todas se arrogam absolutas e únicas em sua visão sobre Deus; trágico! E sendo assim, eu encerro dizendo: "Só sei que nada sei;" no espírito socrático que reconheceu seu estado verdadeiro na existência.
#Prosador

terça-feira, 2 de outubro de 2018

"Afinal, a História serve para alguma coisa?"




Atenção: este texto contém spoilers
histórico-acadêmicos.

Estou terminando minha graduação em História e percebi a enorme utilidade dela em minha vida. Meu tema do Tcc (trabalho de conclusão de curso) irá discorrer acerca das intenções da elite abolicionista em Santos. Irei resumir e dar um "spoiler" do que irei falar na data da apresentação.

Santos era uma cidade conhecida como "Canaã Santista" porque costumava acolher e "sequestrar" (pelos caifazes) os escravos fugidos das fazendas de café de São Paulo. A década de 1880 era uma década de muitas revoltas de escravizados e resistência. Eles já sabiam, assim como todos, que era uma questão de tempo para o fim da escravidão. A elite santista montava uma fachada de humanitarismo ao acolher os escravizados e passava uma imagem de boa e legal, mas na verdade os abolicionistas exploravam os ex-escravos que chegavam em Santos almejando a liberdade. A elite criou um quilombo, chamado Jabaquara, localizado longe do centro da cidade (para impedir a mistura e convivência entre negros e brancos). Ali, os negros eram amontoados naquele quilombo sob a liderança de um negro (e ex-escravo) a favor da elite: Quintino de Lacerda. Os negros eram dependentes da elite, pois ela libertou o negro para ele trabalhar em troca de baixos salários. Como era uma cidade moderna e portuária (mas com grandes surtos de febre amarela), Santos precisava de trabalhadores para operarem funções ligadas ao seu porto. Os trabalhadores santistas livres costumavam fazer muitas greves e exigiam seus direitos, por isto o negro fugido das fazendas era a melhor opção de exploração, pois era acolhido e feito dependente desta elite.

  O que esta história nos ensina? Que em primeiro: não existe humanitarismo gratuito e sem interesses, praticados por uma elite ou alguém(ou se existem, são casos isolados). Segundo: é atual esse discurso político em que um candidato diz ser a favor do povo, mas está pouco se f#$3n&@ (fodendo) para ele, e ainda o manipula com discursos de que as coisas vão melhorar se o elegerem, como foi o caso de Quintino de Lacerda, ex-escravo que foi colocado para "liderar" (ou seja, controlar e acalmar) os ânimos revolucionários dos ex-escravos. Os curiosos de plantão estão convidados para verem minha apresentação de Tcc no fim de novembro (chamem no privado) e caso queiram saber mais sobre o tema, podem me perguntar; só chamarem no privado .

Ass: Gabriel Meiller (facebook) (#prosador).

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A disputa entre gêneros e a imposição rígida de padrões definidores sobre eles.



-Gabriel Meiller Nunes

O casal tradicional denominado"homem e mulher" muitas vezes, no nosso cotidiano, acaba se tornando "homem x mulher". Em minha vida pessoal no contato com amigas mulheres, ouço constantemente a lamúria de que "homem não presta" e de que são "grossos",  "todos iguais", "esquecidos", "machistas" e etc. Algumas cogitam em se tornarem homoafetivas por causa das crescentes frustrações. Algumas falam "da boca para fora", mas outras cogitam este fato seriamente. De certa forma, devo reconhecer que as mulheres possuem significativa razão no que expressam. Mas, como homem, também devo reconhecer que elas também possuem seus defeitos e parcelas a reconhecerem no fracasso de um relacionamento. Porém, reconheço claramente que os homens, de forma mais geral, tendem a desenvolver mais comportamentos que dificultam um relacionamento do que uma mulher (com base na minha experiência). Digo isto sem grandes generalizações (pois existem uma parcela de homens e mulheres que fogem destas dinâmicas relacionais) e pretendo explicar o porquê dessa guerra de gêneros que se exacerbou ainda mais na nossa sociedade contemporânea ocidental, sendo formada pelo machismo e patriarcalismo dominantes, arraigados nela.

  Os conceitos e estereótipos mais comuns sobre os gêneros, difundidos pela nossa cultura, são: O homem como líder, educado em um ambiente com brincadeiras agressivas e que exigem maior coordenação motora e esforços físicos, formando sua personalidade idealizada e estereotipada pelo imaginário social como alguém forte, racional, frequentador de bares e rápido em se vestir. A indústria infantil de brinquedos incentiva esta formação de gênero através de carrinhos, bolas e bonecos que são usados (ou pelo menos "sugeridamente impostos" no meio social como classificados em "brinquedos masculinos", bem como as cores impostas como "masculinas" sendo azul, preto, vermelho, cinza, etc) e funcionam como uma preparação para a vida adulta do menino. Os carrinhos de brinquedo, por exemplo, já estimulam inconscientemente no menino a noção de consumo automobilístico;  e os outros brinquedos o "conscientizam" de seu papel na sociedade, geralmente de explorador do mundo em suas profissões e estilos de vida, como por exemplo: empresário, jogador de futebol, diplomata, lutador e outras profissões "masculinizadas" pela sociedade, como por exemplo: o pedreiro e a construção civil; coletor de lixo, motorista e outras profissões que exigem maior força e coordenação motora (resguardadas suas devidas excessões de mulheres que exercem estas profissões).

Todo este mundo construído pela sociedade patriarcal ocidental, repleta de construções simbólicas por meio de brinquedos, objetos, calçados, alimentos, desenhos, valores culturais conservadores e religiosos, e pela mídia geral em si... são introjetados no inconsciente da criança e moldam sua forma de pensar e compreender o mundo, e compreendendo este mundo, agindo nele de acordo com suas compreensões. Por exemplo: se um menino cresce com a visão imposta por vários meios de que a cor azul e preta são "cores de homens" e o rosa e amarelo são "cores exclusivamente femininas", muito provavelmente em suas relações ele irá se enxergar em sua sexualidade pela cor e não por sua preferência sexual. E se este garoto usar uma camisa rosa? Como irá se sentir consciente e inconscientemente, visto que suas associações da infância relacionam o rosa ao sexo feminino e à "delicadeza" representada por ele?



Com a conclusão de que o imaginário social é constituido por estas construções padronizadas do gênero masculino, o gênero feminino será construído como oposto ao masculino. Como mostrou detalhadamente Pierre Bourdieu, em sua obra "Dominação Masculina",  relacionando as semelhanças da cultura patriarcal ocidental à cultura da sociedade Cabila, localizada na África. Decorrente desta oposição de gênero, o estereótipo do gênero feminino é difundido simbólica, social, religiosa e psicológicamente como frágil, sensível, passivo, polido, simpático e cuidoso em demasia com a estética. A mulher de forma mais geral, como bem mostrou Bourdieu, utiliza roupas confeccionadas pela indústria da moda, que delimitam seus movimentos e as arrefecem em seus movimentos pelos ambientes. Como as confecções de saias, tamancos, saltos e bolsas, que impedem movimentos mais espaçosos e enérgicos, condicionando-a em um certo tipo de postura. A ideia da mulher como submissa, rainha do lar, procriadora e auxiliadora funcional, faz parte dos mecanismos de domínio da cultura patriarcal judaico-cristã.

     Para além desta dominação da indústria da moda, a mulher assim como o homem, é condicionada em sua formação desde a tenra infância, sendo moldada em suas estruturas inconscientes, através dos pressupostos simbólicos e objéticos apresentados pelo sistema cultural patriarcal. A indústria infantil condiciona as meninas a se enxergarem como sensíveis, meigas, submissas, donas de casa, e preocupadas em demasia com a estética. Brinquedos como bonecas repletas de saltos, vestidos, magras e de cabelos longos, internalizam na pequena mulher um padrão estético aceito pelos desenhos, filmes e séries. As brincadeiras de casinha, bem como o fogão, a vassoura e as maquiagens, também sugerem este padrão de vida recluso e dependente do marido. Orientando a criança a determinado papel social. Todos estes simbolismos vão sendo moldados nas estruturas inconscientes femininas. Isto significa que as crianças estão condenadas ao fatalismo de gênero? De modo algum; em um mundo globalizado, repleto de movimentos alternativos, criticantes e protestantes contra esta cultura patriarcal, percebemos que os padrões enrijecidos estão sendo quebrados e maleados pelos conceitos periféricos de representações de gênero, distribuidos nas indústrias, moda, mídia, etc. Mesmo assim, ainda há uma considerável influência e resquícios desta mentalidade na nossa cultura brasílica, e também ocidental.

     Após falar destas divergências entre as padronizações e imposições de gêneros, dados como opostos entre si, quero concluir, por meio do conceito de Animus e Anima do psicólogo analítico Carl Gustav Jung, os conflitos entre os dois gêneros e sua influência nos casais heterossexuais na sociedade patriarcal ocidental. Segundo Jung, de forma resumida, o Animus representa o lado "masculino" em uma mulher, e a Anima o lado "feminino" no homem, devido  à convivência entre ambos e que aprendem entre si, através dela. Porém, com a polarização e antítese causada pela imposição de um padrão comportamental de gênero, o homem ocidental (de forma geral) acaba reprimindo este lado feminino em si (intuitivo, delicado, sensitivo emocional, e afetivo com outros homens) enquanto a mulher acaba reprimindo o seu lado mais agressivo, dominante, e a não estimulação de melhor desenvolvimento da coordenação motora, através de brincadeiras impostas como "masculinas". Desta forma, as relações entre casais de heterossexuais podem acarretar em desintendimentos na convivência entre o casal por causa desta negação dos lados "femininos" e "masculinos" no casal. O homem que acompanha sua companheira nas compras, torna-se muitas vezes impaciente, pragmático e pouco desenvolvido na apreciação da estética de sua mulher, sendo pouco sensível. Não somete nisto, mas também na área sexual copulativa o homem acaba desenvolvendo uma relação sexual pouco altruísta, direta ao ponto e preocupada em seu exclusivo prazer, como demonstram os vídeos pornográficos guiados por pressupostos machistas, em sua maioria. Embora existam filmes pornográficos alternativos, mas de pouca acessibilidade gratuita ainda.

   A mulher desenvolve conflitos em relações retardatárias nos casos de maridos que não colaboram nas tarefas domésticas e culinárias, sob o pressuposto machista de feminilização de tarefas do lar. Principalmente se a mulher tiver filhos  e/ou trabalhar fora. Em todos estes estereótipos generalizados de relação heterossexual, observo que os protestos de movimentos feministas e outros movimentos alternativos, somado à globalização, têm desempenhado papel fundamental para mudar essa realidade, já constituida como obsolente para muitos casais. Porém, ainda existem numerosos resquícios desta mentalidade, dependendo da região do país, predominante em áreas do interior do país e no Nordeste.