sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Demasiada seriedade

 



Não estou preocupado com a verdade... 


Não me interessa a verdade;  muito menos deus... são todos a mesma essência: invenções. 


Não estou preocupado com os valores, estou preocupado com a valoração. 


Não tolero valores demasiado sérios, demasiado rígidos.


Quem está preocupado é quem se ocupa previamente; eu apenas me ocupo no presente a cada valoração. 


Olhem lá: eis que surge uma criança inocente.... Aaah!!! Ela mal chegou ao mundo... e se encanta com este! O encanto é obra da inocência, da bendita despretensão. 


Ela engatinha... e depois  caminha. A cada descoberta, uma nova impressão sobre a vida. 


A criança se encanta, mas depois volta ao normal; se enfeza, mas depois esquece a fonte do enfezamento: eis aí a grande obra do esquecimento. Ou melhor: do "presentimento", do agir do presente no ressentimento através do esquecimento. 


O que é cobiçado e assaltado da criança? O entusiasmo pela descoberta da vida, pela mudança constante de suas sensações e percepções. 


A criança é exploradora por natureza, não possui eixo; mas os pais são os velhacos emburrados com a vida que empurram valores a elas. 


Rígidos, doutores do saber; valoradores sérios: estes tratam a verdade de forma verdadeira e a falsidade de forma igualmente verdadeira.  


A fronte craniana dos adultos aumenta, suas cabeças crescem demasiado porque focam na discriminação entre a verdade e a mentira. Enquanto isso a despretensão da criança é confirmada por sua moleira ainda frágil e a se fechar! 


Haja córtex pré-frontal para aguentar tanta firmeza de julgamento. Eis aqui uma verdade: tanto enrijecimento da musculatura cerebral adulta que clama por álcool e pelas drogas, ocorre justamente pelo demasiado foco! 


Mas a criança é livre, senhorxs. Livre para experienciar, o que não a isenta de riscos. 


"O que é a verdade e a mentira?" 


Cada definição é uma tentativa de enquadrar a realidade à nossa mente: não existe verdade senhorxs! Existe o real! Existe o que não se julga plenamente. Já o "existir" de algo implica em duas coisas: No "em si", no "algo". E também no observador que filtra o em si em sua observação. 


Cheguei à conclusão de que não há existência se não houver um ser existente para completá-la e quem sabe até criá-la em nome da verdade. 


Não me perguntem o que é esse "em si"; não serei pretensioso ao dizer o que é algo que simplesmente é! A verdade é arrogância de todo aquele que passou da infância para a vida adulta e julga poder discriminar a realidade. 


Não há fatos, somente interpretações feitas pelo aparelho psíquico de algo que está "aí fora" de nós.


Mas e quem disse que a criança liga em discriminar ou fazer um tratado do que "é" e do que "não é"? Ou que se aborreça em definir teoricamente a verdade e a mentira? 


Ah, pobres coitades! Não entenderam ainda que a criança quer o brincar? Ela ama as sensações que provêm da arte! Esta é a sua redenção: encarar o mundo pelo mundo, o ser pelo ser! A finalidade passou muito longe de sua bendita inocência! 


-Gabriel Meiller

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

"O que é a vida?"

 



Antônio Abujamra, já falecido, em seu antigo programa "Provocações" sempre perguntava e repetia a mesma pergunta ao seus convidados: "O que é a vida?" A repetição desta pergunta carregava a dedução lógica de que se a vida é um conjunto de inúmeros fenômenos complexos e desconhecidos, a resposta do convidado nunca seria suficiente. Em resumo, as respostas nunca são suficientes para definir algo. As respostas são integrantes do campo da linguagem e a linguagem é limitada se comparada com a realidade. Lacan formulou bem a impossibilidade do simbólico e também do imaginário alcançar a magnitude do Real, isto é, daquilo que de fato é independente da linguagem e da imaginação humana.


"O que é a vida?" é uma pergunta que explora a maior metalinguagem de todas. E qualquer sinônimo que possamos emitir para defini-la é um reducionismo proposital para que o sinônimo seja engrandecido e valorizado acima do normal. Digamos que a vida é prazer! Então o prazer sofre uma hipérbole, pois é equiparado à vida. Ou poderíamos dizer que a vida sofreu um eufemismo ao ser reduzida ao prazer. Para um hedonista bem seria desta forma, mas para qualquer um que tivesse a percepção de que a vida transcende qualquer sinônimo individual... isso soa ridículo e banal. 


Mas o que é ridículo e banal faz parte da arte, bem como das Provocações. A provocação é uma forma de fazer com que haja uma resposta por parte de alguém. E a arte é uma produção humana que visa despertar reações humanas diante do que é apresentado. "O que é a vida?" 'A vida é a vida!' Seria uma resposta redundante, mas justa ao termo em si mesmo. Dizer que a vida é a vida implica em admitir: ela não pode ser comparada a algo que não seja ela mesma, seja lá o que ela seja.


Nietzsche diria que a vida não pode ser definida, pois ela não pode ser comparada com outra vida, pois não conhecemos outra vida senão a que conhecemos no aqui e agora. A definição só poderia ocorrer através da comparação ao ver dele. Só conhecemos um idioma quando há outro para que haja uma valoração comparativa. Mas que outras formas de vida existem além da vida neste pálido ponto azul?


"O que é a vida?


           ...


O que é a vida... ?"


-Gabriel Meiller

O 'plot' de Platão parte II: a falácia da crença na libertação por meio da razão

 



Agora, sob uma interpretação tênue da tradição platônica (e não de Platão em si) que cindiu o mundo em dois, reflitamos na Alegoria da Caverna de forma mais livre, crítica e temática pelo tradicional questionamento da filosofia, isto é, o questionar da verdade sem chegar a ela de forma definitiva. 


Sob a intenção de criticar a falsidade dos sentidos, Platão propôs a razão e o pensamento filosófico como guias do homem no mundo. A parte produtiva disso é a capacidade limitada e parcial do homem se libertar de seus enganos pela autorreflexão. Sob esse ponto de vista, a alegoria da caverna representa uma revolucionária libertação de um sistema de aprisionamento humano porque liberta: 


1)O homem de sua ignorância pela falta de questionamento. 2)O homem das amarras de um rebanho/grupo social que o pressiona a continuar nas sombras das tradições que o aprisiona. 


Oh, Platão, homem de profunda instrospecção: a tradição filosófica te louva por criar um aprisionante veneno que liberta! De tanta introspecção criastes um mundo divorciado da realidade, o mundo das ideias em que tudo é perfeito. Por acaso almejastes a perfeição e na verdade a encontrou por vias de alucinação? Serás mesmo um louco benfazejo ou uma espécie de maluco beleza, ou apenas um sedutor barato? Ou quem sabe estavas somente a usar uma metáfora sobre esse mundo das ideias, algo somente alegórico e que não pretendia divorciar o mundo de sua naturalidade e imperfeição que é perfeita? 


Muitos possuem motivos para concluir que usavas apenas uma metáfora para engrandecer a razão e o inatismo humano; outros podem acreditar que havia uma realidade do mundo das ideias em que acreditavas; mas o que de fato ocorreu foi que teus discípulos, oh mestre incompreendido!, transformaram o Ocidente num sepulcro da razão. 


O pensar se tornou extremamente teórico e ineficiente: suprimiu as emoções, os sentidos e as demais faculdades em detrimento da gélida razão e demasiada seriedade cristã. O cristianismo enquanto sistema se fortaleceu e bebeu em teu princípio do mundo das ideias para justificar um além; o cristianismo como platonismo da plebe! 


Platão, a incógnita! O desvirtuador da humanidade ou a sua possível redenção que foi transvalorada? Mas nada disso foi seu agudo plot, senão a crença por parte de Platão de que a humanidade seria capaz de se libertar pelas vias da razão! A razão, corrompida pelos traumas, sentimentos e pulsões (Nietzsche e Freud demonstraram) é apenas serva e escudeira das emoções: "defendemos racionalmente nossas paixões! " Existe algo mais paradoxal do que esta constatação? 


Ah, Platão e suas boas intenções! Oh, o redentor da humanidade acabou por pervertê-la! De boas intenções o inferno existencial está cheio! 


Eis o insight de Platão: emoções são enganosas e nossos sentidos nos traem; usemos o pensamento para romper este engano dos instintos.


Vieram outros e constataram: "Ah, senhor idealista! Não enxergas a razão como topo do iceberg das emoções e determinada por elas? A fisiologia do cérebro determinou a razão como posterior e determinável pelos instintos. "


Alguém cuja existência é ameaçada ou quando não consegue realizar suas ambições, suspende a razão em prol dos instintos. Um apocalipse na sociedade (ou ainda menos) é sinônimo do reinar dos instintos mais primitivos. A razão, desta forma, só reina quando a estabilidade e a paz a tomam nos braços. 


E vocês, senhores(as)? O que suspeitam que Platão tentou elucidar? 


-Gabriel Meiller

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A pedagogia dos sentidos

 




Uma das definições mais lúdicas de pedagogia pode ser a seguinte: a arte do aprendizado guiado. O aprendizado é natural e muitas vezes associado com a palavra "pedagógico". Entretanto, há uma diferenciação mínima e balizadora: o aprendizado ocorre em todo lugar e a todo momento, enquanto a pedagogia exige um lugar(es) e momentos específicos. Por isso, o aprendizado é guiado de alguma forma e por algum método a variar de acordo com o tempo e a cultura. 


A pedagogia dos sentidos seria o método mais natural e empírico para educar uma criança, através de constatações dela conforme os sentidos e as situações mostrem a elas aspectos de fenômenos a serem aprendidos. O aprendizado ocorre por associações conscientes  de fenômenos (na maior parte das vezes) e a ligação dos fenômenos entre si envolvendo o aprendiz. Um exemplo concreto: quando entendo a relação entre uma alimentação desregrada, gordurosa e cheia de excessos e o predomínio e maior frequência de doenças, eu consolidei um aprendizado! Entretanto, o que julgará o caráter sólido e ativo deste aprendizado é o reforço do mesmo. Se eu aprendo de forma prática, sentindo em meu corpo essa relação de má alimentação, sendentarismo e baixa imunidade; além da experiência de mudar essas variáveis por meio da oportunidade de mudar a alimentação, me exercitar e presenciar uma melhora substancial... então as chances de um aprendizado efetivo e significativo serão muito maiores! 


O sofrimento (não somente ele) pode ser um ótimo professor porque ele é prático. Deste princípio origina-se a pedagogia dos sentidos e não somente uma pedagogia teórica e abstrata que na maioria das vezes é ineficiente. 


É interessante observar que a epistemologia dessa pedagogia teórica tem base na tradição cartesiana, sob o jargão: "Penso, logo existo" colocando o pensamento como superior sob as demais faculdades. E essa tradição tem origem na pedra fundamental: o culto à razão como a faculdade mais importante e divorciada dos demais sentidos. Essa constatação nos faz entender a importância da unificação e igual atribuição da importância de nossas múltiplas faculdades orgânicas. A valoração é desigual, portanto! A memória é multisetorial, pois envolve a capacidade de abstração, generalização, sintetização e extrapolação, entre outros mecanismos que ocorrem pela interação dos sentidos, como o tato, olfato, paladar, visão e audição. 


Entretanto, senhores e senhoras pedagogas, o que nossas escolas ainda reproduzem? Uma dinâmica pedagógica ainda antiga e da idade da pedra grega! Um culto à razão pura, como anteriormente eu discorri  sobre o plote de Platão! Entretanto, em outros países como a Suécia, Dinamarca, Finlândia e o próprio Portugal (com o exemplo da Escola da Ponte), trazem esse pressuposto da Pedagogia dos Sentidos como o motor da educação! Enquanto isso no Brasil temos uma cultura que ojeriza um dos maiores pedagogos que também ensinou esses princípios, a saber: Paulo Freire. Quando não o odeiam, o idolatram, mostrando que não há um senso crítico entre os indivíduos da moral de rebanho acadêmica ou religiosa. 


Minha pergunta se encerra da seguinte forma: superamos mesmo essa tradição de supremacia da razão pura? Uma tradição que diviniza a consciência em detrimento da subestimação das demais faculdades? 


-Gabriel Meiller

O "plot" de Platão

 



O texto a seguir é uma leitura de Platão inspirada na crítica nietzschiana do platonismo. 


Qual foi o "plot" de Platão? Ou seja, qual foi seu golpe de mestre, sua trama, sua artimanha? O plot se deu na sua famosa Alegoria da Caverna. Platão disse que nós somos escravos e reféns de nossos sentidos que fazem-nos enxergar o mundo como sombras. A libertação disso é o conhecimento racional da realidade que seria a libertação dessa caverna regida pelas sombras dos sentidos. E a razão é a grande libertação!  O famoso idealismo platônico, ou seja, a cisão do mundo em mundo sensível (falso, imperfeito, sombra) e o mundo inteligível (mundo das ideias em que as coisas  são o que são: verdadeiras, reais e perfeitas) é o epicentro do plot 'armadilhesco' do platonismo. 


Ora, Platão cria um espantalho, isto é, pinta o único mundo como defeituoso, imperfeito e cria a necessidade em seus ouvintes de transcender esse mundo que é ilustrado como uma caverna! O que Platão faz senão causar descontentamento pela vida? Pregar a superação do único plano que conhecemos em prol de um suposto plano que seria acessado pela primazia da razão não parece uma sedução covarde? Platão oferece a verdadeira alienação da vida ao pintar a mesma vida como mentira; Platão prega uma peça em seus ouvintes: ele escraviza-os fazendo acreditarem que estão na matrix! 


Platão aprisiona quem acredita estar preso e deseja se libertar, eis aí o mais novo paradigma platônico:


 Quem quiser se libertar, será preso; e quem quiser salvar sua vida, a perderá! Pois quem acreditar que este mundo é uma caverna e procurar a saída, este se perderá na 'busca da verdade'. 


O que significa tudo isso? Significa o mesmo que empobrecer quem busca riquezas, dando um golpe nos ingênuos que acreditam ser possível ganhar dinheiro pela internet.  Platão faz a mesma coisa, mas faz em relação à suposta verdade e à busca pelo sentido da vida. Platão transformou a verdade em uma essência e criou um mundo de essências e fez deste único mundo uma sucata de sombras incompletas. 


Ahh, danado zombeteiro! Tremendo doidivanas! Sacripanta mentecapto!  Até hoje,  Platão, desde os ingênuos até os mais sagazes homens caem em tuas peripécias, em teus sortilégios filsóficos! Com teu vão falatório, semelhante aos sofistas, fizestes da humanidade a tua boba da corte, alvo de entretenimento barato de teu tédio insensato. 


Enquanto te pões a rir desses incautos com tuas peripécias a humanidade sofre na busca de coisas que nem sequer existem. Mas lá vão eles... continuam a dizer que estão a sair da caverna, que se libertaram desse mundo de mentiras e que encontrarão a verdadeira libertação, isto é, a saída dessa imaginária caverna! 


-Gabriel Meiller

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Diferença entre teologia liberal (cristã) e a teologia fundamentalista (cristã)

 




O que esse texto representa? O entendimento de que uma divergência teológica significa que uma teologia parte de outros pressupostos ao ler a Bíblia, enquanto a outra teologia parte de outros pressupostos  que são divergentes em gênero, número e grau para ler a mesma Bíblia. Sejamos específicos: a teologia fundamentalista se baseia nos fundamentos, que são: a fé tradicional dos teólogos e a crença na literalidade bíblica. 


Dentro da própria teologia cristã fundamentalista já existem variações abismais; entretanto, entre a liberal e a fundamentalista, as diferenças são galaxiais, isto é, no sentido de que pertencem a universos diferentes. A teologia fundamentalista apresenta sua investigação com os métodos interpretativos hermenêuticos, históricos, exegéticos, etc... fundamentados numa investigação racional subordinada à fé confecional! 


Ou seja, um teólogo fundamentalista nunca afirmará que Jesus de Nazaré não era divino, isto é, não era o Cristo no sentido literal. Nunca afirmará que Javé era apenas um deus no panteão hebreu e que incorporou as demais divindades; nunca irá admitir erros de relatos bíblicos ou ocultações. Ele sempre irá encarar a Bíblia de forma literalista e como a Palavra de Deus. 


Enquanto o teólogo liberal irá sempre enxergar a Bíblia colocando o consenso científico e crítico acima da fé; ele não irá distorcer uma hermenêutica, crítica textual, contexto histórico e exegético para que a Bíblia caia em sua confissão e idealizações de fé. Isso não significa uma imparcialidade e objetividade plena, isto seria um neopositivismo ingênuo; mas significa que a parcialidade deste investigador será menos tendenciosa se comparada para com o teólogo fundamentalista. 


Ora, todos sabem que para qualquer investigação, inclusive da Bíblia, o erudito precisa de um "agnosticismo metodológico", ou seja, suspender suas crenças pessoais para interpretar o mundo e neste caso a Bíblia com a menor interferência possível da fé ou do dogmatismo ateu; é necessário muita autocrítica! Pois bem, os teólogos fundamentalistas não se dispõem a isso. E como a teologia liberal possui um público de diferentes crenças religiosas e de interesses não conflitantes da investigação em sua grande maioria, é muito mais provável que a teologia liberal seja mais acurada e científica do que a velha teologia fundamentalista, que serve para reafirmações de fé, da qual os dominicalistas bebem em sua grande maioria. 


Síntese: teologia baseada em fé não é teologia razoável e próxima da verdade; teologia baseada em ciência e na crítica é mais próxima da verdade e mais exata! 


-Gabriel Meiller

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Reflexões sobre a gênese, aquele "antes de tudo"

 



"Deus só pode existir pela lógica" pensam aqueles que não conseguem entender o que é o "nada". O que é o nada? Conseguimos compreender o que é o nada? Ele tem uma incompreensão e confusão com o vácuo; o vácuo, rotulado de nada, tem coisas em si. Aqueles que imaginam o universo surgindo do nada deste vácuo, pensam que é impossível surgir algo. Mas não estamos falando deste "nada" do vácuo. Logo, o nada é uma abstração da mente e ele não existe. O verdadeiro nada é inconcebível e incompreensível. O que havia então no lugar desse nada? Algo que sempre existiu, que foi além do tempo/espaço. E muitos reportam esse "algo" a Deus, um ser criador, certo? E por que gostam de pensar assim os nossos amigos filósofos de escola dominical? Porque o pressuposto por trás desse pensamento é este: "Só algo dotado de consciência pode gerar outras coisas!" 


Oras, que grande loucura! Por que algo desprovido de consciência não pode ter gerado tudo? Lembrem-se que a consciência é um atributo humano e dos demais seres vivos. A consciência surgiu muito tempo depois dos surgimentos primitivos; ela não estava em explosões e confrontos de astros; não estava na expansão da matéria.  Entretanto, nossos filósofos dominicais cometem um erro crasso de deslocamento histórico temporal da consciência para antes de tudo. Não parece isso um senso a-histórico? O nome disso é pensamento mágico! Não é da ordem da filosofia que enxerga o mundo como ordenado e gradual na cosmologia, mas é um pensamento irracional. 


O pensamento mágico, portanto, precisa de uma consciência anterior ao nada porque é um pensamento repleto de projeções humanas e conscienciosas tentando compreender algo anterior à consciência. Então conceberam deus à vossa imagem e semelhança e se tornaram os juízes dotados de pensamento mágico. Esses juízes são como calouros que almejam julgar os professores e diretores de um curso de ensino superior. O critério tem como base a mágica e não um apanhado teórico. Pois bem, assim também têm feito os dominicalistas baseados na Bíblia.  Há uma enorme e irreconciliável diferença epistemológica aqui, em um grupo sob o nome de ateus: Freud e Nietzsche. Mas isso não desanima os dominicalistas a usarem o pensamento mágico, que concebe a consciência (divina) antes do nada para julgar como irracional postulações filosóficas e evolucionistas. Encerro com esta síntese: Deus: sinônimo de mágica; mágica: sinônimo de engano!

-Gabriel Meiller