segunda-feira, 14 de agosto de 2023

O "plot" de Platão

 



O texto a seguir é uma leitura de Platão inspirada na crítica nietzschiana do platonismo. 


Qual foi o "plot" de Platão? Ou seja, qual foi seu golpe de mestre, sua trama, sua artimanha? O plot se deu na sua famosa Alegoria da Caverna. Platão disse que nós somos escravos e reféns de nossos sentidos que fazem-nos enxergar o mundo como sombras. A libertação disso é o conhecimento racional da realidade que seria a libertação dessa caverna regida pelas sombras dos sentidos. E a razão é a grande libertação!  O famoso idealismo platônico, ou seja, a cisão do mundo em mundo sensível (falso, imperfeito, sombra) e o mundo inteligível (mundo das ideias em que as coisas  são o que são: verdadeiras, reais e perfeitas) é o epicentro do plot 'armadilhesco' do platonismo. 


Ora, Platão cria um espantalho, isto é, pinta o único mundo como defeituoso, imperfeito e cria a necessidade em seus ouvintes de transcender esse mundo que é ilustrado como uma caverna! O que Platão faz senão causar descontentamento pela vida? Pregar a superação do único plano que conhecemos em prol de um suposto plano que seria acessado pela primazia da razão não parece uma sedução covarde? Platão oferece a verdadeira alienação da vida ao pintar a mesma vida como mentira; Platão prega uma peça em seus ouvintes: ele escraviza-os fazendo acreditarem que estão na matrix! 


Platão aprisiona quem acredita estar preso e deseja se libertar, eis aí o mais novo paradigma platônico:


 Quem quiser se libertar, será preso; e quem quiser salvar sua vida, a perderá! Pois quem acreditar que este mundo é uma caverna e procurar a saída, este se perderá na 'busca da verdade'. 


O que significa tudo isso? Significa o mesmo que empobrecer quem busca riquezas, dando um golpe nos ingênuos que acreditam ser possível ganhar dinheiro pela internet.  Platão faz a mesma coisa, mas faz em relação à suposta verdade e à busca pelo sentido da vida. Platão transformou a verdade em uma essência e criou um mundo de essências e fez deste único mundo uma sucata de sombras incompletas. 


Ahh, danado zombeteiro! Tremendo doidivanas! Sacripanta mentecapto!  Até hoje,  Platão, desde os ingênuos até os mais sagazes homens caem em tuas peripécias, em teus sortilégios filsóficos! Com teu vão falatório, semelhante aos sofistas, fizestes da humanidade a tua boba da corte, alvo de entretenimento barato de teu tédio insensato. 


Enquanto te pões a rir desses incautos com tuas peripécias a humanidade sofre na busca de coisas que nem sequer existem. Mas lá vão eles... continuam a dizer que estão a sair da caverna, que se libertaram desse mundo de mentiras e que encontrarão a verdadeira libertação, isto é, a saída dessa imaginária caverna! 


-Gabriel Meiller

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